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Correio da Manhã

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Comerciantes da Baixa de Lisboa preocupados com teletrabalho obrigatório imposto devido à Covid

Apesar de haver mais pessoas a passear no centro histórico da capital, devido ao desconfinamento, o consumo ainda se encontra abaixo do normal.
Lusa 14 de Abril de 2021 às 17:13
Baixa de Lisboa
Baixa de Lisboa FOTO: Miguel A. Lopes
A falta de turistas e a obrigatoriedade do teletrabalho até final do ano estão a gerar "preocupações muito grandes" junto dos comerciantes da Baixa de Lisboa, uma zona onde faltam residentes e o comércio está muito dependente do turismo.

Em declarações esta quarta-feira à agência Lusa, o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina explicou que, apesar de haver mais pessoas a passear no centro histórico da capital, devido ao desconfinamento, o consumo ainda se encontra abaixo do normal.

"Houve uma melhoria em relação às vendas ao postigo. Houve uma alteração ligeira. Neste momento, há mais pessoas na Baixa, mas ainda há um decréscimo de vendas, que é uma coisa preocupante e abissal, ou seja, há mais pessoas, mas os consumidores ainda são muito irrelevantes, em relação às necessidades daquilo que o comércio precisava neste momento", salientou Manuel Lopes.

De acordo com o responsável, o teletrabalho está a ter um efeito negativo na Baixa Pombalina, uma vez que o "trabalho em casa" está a tirar as pessoas da cidade nas horas mais importantes do dia para o comércio.

"São muitos milhares de pessoas que estão a deixar de trabalhar na Baixa e que não vêm à Baixa, essas pessoas que estão em teletrabalho não vêm à Baixa, não têm os seus almoços, não tem os seus pequenos-almoços e não fazem as outra compras gerais", observou, reiterando que os trabalhadores fazem "falta ao comércio".

Segundo determinado pelo Governo, o teletrabalho vai manter-se obrigatório até final do ano sempre que as funções o permitam, com vista a minimizar os riscos de transmissão da infeção da Covid-19.

"Foi aprovado o decreto-lei que prorroga, até 31 de dezembro de 2021, o regime excecional e transitório de reorganização do trabalho e de minimização de riscos de transmissão da infeção da doença Covid-19 no âmbito das relações laborais, sem prejuízo da possibilidade de prorrogação adicional após consulta dos parceiros sociais", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Demonstrando preocupação, Manuel Lopes voltou a reconhecer que a Baixa estava dependente de cerca de 80% do turismo, explicando que, neste momento, não é possível fazer-se um balanço de quantos estabelecimentos tiveram de encerrar até esta quarta-feira devido à crise pandémica.

"Enquanto não houver turismo, a Baixa não vai recuperar. Não esqueçamos que não há residentes. Não havendo residentes e acabando o turismo, a Baixa não pode sobreviver apenas e só com aqueles que nos vão visitando, é muito pouco", frisou.

Nas contas da associação, até novembro, terão encerrado cerca de 115 espaços comerciais.

Em 15 de março teve início o plano de desconfinamento do Governo, com a reabertura de creches, ensino pré-escolar, primeiro ciclo do básico, comércio ao postigo e estabelecimentos de estética como cabeleireiros, numa primeira etapa.

Numa segunda fase, em 5 de abril, reabriram esplanadas, centros de dia e lojas com porta para a rua com menos de 200 metros quadrados e a retoma das aulas presenciais para os alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico.

O plano de reabertura gradual do Governo tem novas etapas em 19 de abril e 03 de maio, mas as medidas poderão ser revistas em função do índice de transmissão (Rt) do vírus SARS-CoV-2 e do número de novos casos diários de infeção por 100 mil habitantes em Portugal.

Atualmente, a nível nacional, o Rt situa-se em 1,06 e há 72,4 novos casos por 100 mil habitantes, segundo o relatório de esta quarta-feira da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Além de outras medidas, em 19 de abril está prevista a reabertura de todas as lojas e centros comerciais, tal como restaurantes, cafés e pastelarias (com o máximo de quatro pessoas por mesa ou seis em esplanadas) até às 22h00 ou 13h00 aos fins de semana e feriados.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.961.387 mortos no mundo, resultantes de mais de 137,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.931 pessoas dos 828.857 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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