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Correio da Manhã

Sociedade
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Como podem os pais ajudar e contribuir para a saúde mental dos filhos?

Maioria dos jovens considera relativamente fácil falar sobre o estado emocional com os pais, sobretudo com a mãe.
Correio da Manhã 9 de Dezembro de 2022 às 14:40
Jovens são hoje mais afetados pela depressão do que toda a população adulta.
Jovens são hoje mais afetados pela depressão do que toda a população adulta. FOTO: Getty Images
Numa fase em que o tema da saúde mental se encontra na ordem do dia, sendo cada vez mais aqueles que trabalham e lutam por ela - sobretudo a parcela mais jovem da população -, torna-se determinante entender todas as respetivas ramificações do problema, nomeadamente a influência daqueles que são mais próximos das vítimas: os pais.

De acordo com a psiquiatra Elsa Rocha Fernandes, em entrevista ao jornal i, variados estudos têm revelado que existe uma relação entre a saúde mental dos jovens e a relação com pais, uma vez que os progenitores são a primeira referência e suporte para que os filhos tenham uma vida independente. Segundo a especialista, os pais podem contribuir para promover a autoestima e a segurança emocional dos filhos, incentivando-os a exprimirem as respetivas vontades, emoções, sentimentos e ideias, por via do respeito, aceitação e amor.

Promover a saúde mental passa também por ouvir atentamente os filhos e demonstrar disponibilidade em ajudá-los e orientá-los, sobretudo para falarem com um profissional em saúde mental em momentos em que não se sintam confortáveis para falar com os progenitores.

Segundo os dados recentes de um estudo desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o "Health Behaviour in School-aged Children", que contou com a participação de seis mil adolescentes portugueses, é possível concluir que existe um preocupante decréscimo mundial da saúde mental e física, sendo notória a existência de mais mal-estar psicológico, stress, insatisfação e tristeza, em comparação com os anos anteriores.

Adicionalmente, apesar de o estudo concluir que a maior parte de os adolescente se considera feliz (81,7%), 27,6% deles sentem-se preocupados diariamente, e várias vezes ao longo do dia, de acordo com a informação divulgada pelo Jornal i. Para além disso, 27,6% dos jovens menciona que nunca, ou raramente, sente que as coisas lhe correm como desejava e 26,2% revela que nunca ou quase nunca se sente confiante com a respetiva capacidade de resolver problemas pessoais.

A maioria dos jovens considera relativamente fácil falar sobre o estado emocional com os pais, sobretudo com a mãe, uma vez que cerca de 25% dos adolescente revela ter dificuldades em falar com o pai. Mundialmente, 20% das crianças e jovens sofrem devido a problemas comportamentais, emocionais ou de desenvolvimento, sendo que um em cada oito tem uma perturbação mental. No caso português, em menores com idades entre os 5 e os 14 anos, o maior impacto negativo na qualidade de vida deve-se essencialmente às perturbações mentais e comportamentais. 
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