Foram registadas 3.057 consultas em 10 dez anos. Instituição não considera o número alarmante, mas diz que reflete "o estigma associado" a quem procura este apoios.
As consultas de psicologia da Universidade de Lisboa registaram um aumento depois da pandemia, totalizando 3.057 em 10 dez anos, número que a instituição não considera alarmante e que reflete "o estigma associado" a quem procura este apoios.
Num comunicado esta segunda-feira divulgado, a Universidade de Lisboa precisa que "num universo de milhares de estudantes e professores, de 2015 a 2025, foram registadas 3.057 consultas, o que reflete ainda o estigma associado a quem procura este género de apoios e a necessidade de normalizar este comportamento [ida às consultas]".
A pró-reitora da Universidade de Lisboa e também responsável pelo estudo, Maria José Chambel, disse à Lusa que 93% das pessoas que foram às consultas são alunos e indicou que existem alguns estudantes que necessitam de ser acompanhados, mas não procuram o serviço de psicologia por ainda "estar associado ao estigma da doença mental".
"Podem ser alvos de discriminação se se souber socialmente que eles precisam deste tipo de acompanhamento", disse à Lusa a pró-reitora do estabelecimento de ensino com 52.000 estudantes.
Maria José Chambel afirmou que o número de consultas registadas entre 2015 e 2025 não é alarmante e que mais de metade (1.901) verificou-se entre 2021 e 2025. Antes de 2021, nunca se realizaram mais de 303 consultas de psicologia por ano, mas no ano passado (389) e em 2024 (402) esse número foi ultrapassado, assim como em 2022 (415), ano com mais registos de acompanhamento psicológico.
"Existe muito mais informação, muito maior conhecimento sobre o que é a saúde mental e sobre a necessidade de termos uma intervenção precoce", justificou a professora, indicando que a pandemia covid-19, em 2020, também pode ter desencadeado a procura por acompanhamento psicológico.
A ansiedade (58%), seguido dos quadros depressivos (24%) e dificuldades associadas à gestão de emoções (18%) são as problemáticas mais identificadas no estudo, segundo Maria José Chambel.
De acordo com os resultados do estudo, existe uma maior procura por consultas no início do ano letivo, nos meses de setembro, outubro e novembro, sendo que em 10 anos, nesse período registaram-se 1.056 consultas.
Para a responsável, os alunos procuram mais os serviços clínicos nesses meses por ser a altura em que muitos vão pela primeira vez para faculdade e o momento das primeiras avaliações, enquanto os meses de junho a agosto têm menor procura.
De acordo com os dados, a maioria dos estudantes que foram às consultas de psicologia são mulheres (74%), justificando a pró-reitora da Universidade de Lisboa com o facto de as alunas terem menos constrangimentos em procurar ajuda.
Para Maria José Chambel, o estudo mostrou ser necessário realizar rastreios e atividades que informem sobre saúde mental.
"Não é preciso pensarmos que a larga maioria dos nossos estudantes precisa de acompanhamento psicológico, portanto não é de modo nenhum isso que os dados registam. O que nós pretendemos é que todos aqueles estudantes que citam necessidade de acompanhamento, não evitem em procurá-lo", indicou a professora.
As consultas, que se realizam na Cidade Universitária e na Ajuda, são gratuitas para os estudantes com bolsa e têm um custo de sete euros para os restantes.
Maria José Chambel disse ainda que a Universidade de Lisboa realiza, entre terça-feira e quinta-feira, a Semana da Saúde & Bem-Estar" que terá como principais atividades rastreios de saúde mental e debates sobre temas relacionados com a ansiedade.
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