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Correio da Manhã

Sociedade

Contrata o filho e recebe 12 000 €

Um relatório elaborado pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) detectou várias irregularida-des na gestão do Lusocord, Centro de Histocompatibilidade do Norte.
18 de Novembro de 2012 às 01:00
Helena Alves foi afastada da chefia do Lusocord pelo director do Instituto Português do Sangue, Hélder Trindade
Helena Alves foi afastada da chefia do Lusocord pelo director do Instituto Português do Sangue, Hélder Trindade FOTO: Rafaela Cadilhe

Uma das situações apontada no documento tem que ver com o facto de a ex-directora Helena Alves, – que entretanto foi afastada do cargo – ter contratado o filho várias vezes, e de ela própria auferir um salário de 12 mil euros, o que só foi possível devido à acumulação de horas extraordinárias. O documento foi enviado para a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que está a investigar a ocorrência de todas estas eventuais irregularidades.

Uma das falhas apontadas no relatório, ao que o CM apurou, é que houve um incumprimento dos limites máximos anuais de trabalho extraordinário.

Além disso, o mesmo documento relata alguma desorganização que se verificava no Lusocord, como por exemplo o facto de não ser dada entrada às facturas de fornecedores e de o arquivo se encontrar desorganizado e amontoado por várias áreas dispersas do Centro.

O relatório do IPST refere também que os registos de cerca de oito mil dadores apresentavam-se manuscritos, mas não estavam sequer informatizados.

É também mencionado no documento que dos 30 a 40 kits para colheita de sangue do cordão, cujo valor aproximado totaliza os 700 euros (engloba custos com material, pessoal e logística), há dez que nunca são devolvidos ao centro. Esta situação obriga a colocar um trabalhador a fazer telefonemas para conseguir reaver os kits para recolha de sangue do cordão.

Em termos financeiros, o relatório do Instituto Português do Sangue e da Transplantação levanta muitas dúvidas em relação a um montante de cerca de dois milhões de euros, referentes a dívidas e a receitas, para as quais não foram encontrados documentos.

VIOLADAS REGRAS DE CONTRATAÇÃO PÚBLICA

O relatório do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST) detectou infracções graves de violação directa da contratação pública. As despesas não estavam devidamente autorizadas, e há uma previsível reacção contenciosa por parte dos fornecedores e eventual dever de indemnizar por parte do Centro. Em Setembro, o Instituto do Sangue suspendeu a recolha de novas unidades para o banco público de células do cordão por um período previsível de 60 a 90 dias.

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