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Correio da Manhã

Sociedade
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Coro fica em silêncio pelo maestro gay

Elementos do grupo coral vestidos de luto ocuparam o lugar na igreja mas mantiveram-se em silêncio.
Mário Freire 13 de Março de 2017 às 08:41
População de Castanheira de Pera está solidária com o maestro João Maria, afastado do coro pelo pároco local
População de Castanheira de Pera está solidária com o maestro João Maria, afastado do coro pelo pároco local
População de Castanheira de Pera está solidária com o maestro João Maria, afastado do coro pelo pároco local
Mantém-se a polémica com o afastamento pela Diocese de Coimbra de João Cláudio Maria, maestro do coro da igreja de Castanheira de Pera, que assumiu a sua homossexualidade .

Foi o terceiro fim de semana consecutivo em que as celebrações dominicais se realizaram com o grupo coral de luto e em silêncio, sem cantar. É assim desde que o padre José Carvalho afastou João Maria, que dirigia o coro há seis anos. Uma atitude mal recebida pelos fiéis, que têm apoiado o maestro. O grupo coral também está solidário: apesar de tomar o lugar na igreja, tem ficado em silêncio durante as missas. O padre José Carvalho tem-se mantido afastado.

Ontem, as celebrações foram feitas pelo vigário-geral da Diocese de Coimbra, Pedro Miranda, que leu um comunicado onde acusa o maestro "de falta de respeito, desobediência e rebeldia, que se tem vindo acentuar desde o final do ano passado".

João Maria acredita que, na origem desta situação não está o padre, mas sim o conselho económico da paróquia, na pessoa do tesoureiro, Maximiliano António, que lhe chegou a dizer, "que não estava para aturar ‘paneleirotes’", desabafou ontem o maestro.

João Maria acredita que, além da sua opção sexual, pode estar também em causa o facto de se ter filiado recentemente numa força política, "de oposição à do tesoureiro".

Quanto às acusações de desobediência e rebeldia, segundo o maestro, está em causa um salmo que fez e que o pároco recusou fazer numa celebração, "que vai conta as regras da igreja". Segundo o vigário-geral, após este episódio, o maestro publicou nas redes sociais um texto considerado agitador, que levou a diocese a tomar medidas, "que não foram acatadas pelo maestro", acusa Pedro Miranda.

O maestro é ainda acusado de furto, por não ter entregue dinheiro do coro ao conselho económico da paróquia, utilizando-o para a compra de um órgão, com ordem do padre. Por causa desta acusação, João Maria já anunciou que vai apresentar queixa em tribunal.
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