Criação de uma unidade especifica na região para fazer face a eventuais casos do surto não faz sentido "neste momento".
A secretária regional da Saúde do Governo dos Açores manifestou-se esta segunda-feira "tranquila" com os procedimentos adotados na sequência do caso do avião privado chinês que aterrou em Ponta Delgada no sábado e abandonou já o arquipélago.
Maria Teresa Luciano, titular da pasta da Saúde, declarou aos jornalistas que a criação de uma unidade especifica na região para fazer face a eventuais casos de coronavírus não faz sentido "neste momento".
"Segundo as autoridades de saúde, a Direção Regional de Saúde e a equipa que no terreno acompanha pormenorizadamente a situação, e uma vez que se está numa fase de contenção e mitigação, não faz sentido" criar a unidade, mas, se necessária, a seu tempo "será ativada", sublinhou.
A secretária regional da Saúde falava aos jornalistas em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, após uma reunião com a direção da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros.
Numa nota do gabinete de imprensa do Governo dos Açores hoje divulgada, as autoridades de saúde pública regionais "reafirmam que não existe risco para a saúde pública, tendo em conta as orientações atualmente em vigor para definição de caso suspeito por infeção por novo coronavírus (2019-nCoV), relacionado com um voo particular que aterrou no sábado, 01 de fevereiro, no Aeroporto de Ponta Delgada".
De acordo com as autoridades de saúde, a avaliação em causa "resulta não só da verificação da origem e escalas da aeronave em causa, mas, sobretudo, da verificação dos percursos dos passageiros e tripulantes nos últimos 14 dias".
Segundo o plano de voo e os passaportes, "verificados presencialmente", a aeronave "partiu de Hong Kong, a 25 de janeiro, com três passageiros a bordo, os quais residem em Hong Kong, e daí não se tinham ausentado nos 14 dias anteriores a esta viagem".
A aeronave fez, de seguida, uma escala em Tóquio, onde entraram os restantes oito passageiros, que residem no Japão e que "não se tinham ausentado nos 14 dias anteriores à viagem", tendo-se verificado que "nenhum dos passageiros e tripulantes provém de Wuhan, na Província de Hubei, na China".
O avião fez depois escala e paragem em Paris e na Islândia, "sem qualquer restrição à entrada e/ou à circulação da aeronave, dos passageiros ou dos tripulantes", refere-se na nota de imprensa.
Segundo as autoridades, desde a data da chegada até hoje, altura em que passageiros e tripulação "foram novamente avaliados", estes "não apresentavam qualquer critério clínico para serem considerados sequer como casos suspeitos, tendo o voo saído hoje de manhã".
Entretanto, o PPM dos Açores já fez saber que quer ouvir em sede de comissão parlamentar diversas entidades da região a propósito deste caso.
O partido chamou ao parlamento dos Açores a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas, a secretária regional da Saúde e o coordenador do Gabinete de Apoio à Comunicação Social do executivo açoriano.
"A audição de todos estes responsáveis tem como propósito o esclarecimento cabal referente à atuação das entidades regionais referenciadas no âmbito da falsificação de informação e possível favorecimento no caso do avião privado chinês que aterrou em Ponta Delgada, no dia 01 de fevereiro [sábado]", concretiza o PPM.
A China elevou hoje para 362 mortos e mais de 17 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.
Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais casos de infeção confirmados em 24 outros países.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.
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