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Correio da Manhã

Sociedade
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Cortes ameaçam escolas de entrar em ruptura

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) afirmou esta terça-feira, na Mealhada, que os anunciados cortes orçamentais na educação ameaçam algumas escolas, de todos os níveis de ensino, de entrarem em "situações de ruptura absolutamente inultrapassáveis".
30 de Outubro de 2012 às 15:06
Mário Nogueira alerta para consequências nefastas dos cortes no sector da Educação
Mário Nogueira alerta para consequências nefastas dos cortes no sector da Educação FOTO: Paulo Novais/Lusa

A proposta de Orçamento do Estado para 2013 (OE2013) prevê um "novo corte de 700 milhões de euros, que, em cima dos cortes dos dois últimos anos", fará com que as escolas venham a ter "dificuldades de funcionar", algumas das quais "poderão até vir a bloquear e a entrar em situações de rotura absolutamente inultrapassáveis", sublinha o dirigente sindical.

As escolas têm vindo, "muitas vezes", a recorrer "aos pais, às famílias, para poderem compensar aquilo que lhes é cortado", mas, "neste momento, os pais e as famílias precisam – convenhamos -, mais do que nunca, do apoio que a escola não pode dar", aponta Mário Nogueira, que falava à agência Lusa, à margem de uma reunião de professores, hoje, na Mealhada.

"Isto é válido, do pré-escolar ao ensino superior", adverte o secretário-geral da FENPROF, referindo que, "ainda agora, os reitores das universidades vieram falar dos riscos que, também aí, poderão acontecer".

O OE2013 proposto pelo Governo é "absolutamente demolidor", não apenas para a educação e, "em particular, para a escola pública", mas também para "os serviços púbicos e as funções sociais do Estado", sustenta.

"Não sei", acrescenta Mário Nogueira, se este OE "vai dar para refundar o memorando" de entendimento de Portugal com a 'troika', "mas é capaz de dar para afundar o país".

O OE2013,"naquilo que tem a ver com quem trabalha, e portanto com os professores também", é "absolutamente brutal e violento nas consequências", mantendo "tudo aquilo que já vamos tendo, mas de forma agravada".

Perante este cenário, só há dois caminhos: "deixar que as coisas aconteçam" e "esperar por um milagre" ou "lutar contra estas medidas, contra estas políticas e contra este governo".


Um dos "importante momentos" desse combate é "a greve geral" de 14 de Novembro, convocada pela CGTP-IN, considera o secretário-geral da FENPROF, defendendo que "não há três lados, só há dois".

Há, para Mário Nogueira, o lado de quem adere a esta greve, que está contra aquelas políticas, e o lado de quem não faz greve. "Mas a estes", que não fazem greve, "o Governo não vai pedir declaração de voto, vai contar como sendo aqueles que estão a [seu] favor" e, "portanto, os professores não podem ficar fora desta luta".

A reunião de professores do Agrupamento de Escolas da Mealhada (distrito de Aveiro), em que, durante a manhã, Mário Nogueira participou, integra-se nas iniciativas que a FENPROF tem vindo a promover, para mobilizar os docentes para greve de 14 de Novembro.

Idêntico encontro, com educadores e professores do distrito de Coimbra, terá lugar, a partir das 17h00, no auditório da reitoria da Universidade daquela cidade.

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