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Correio da Manhã

Sociedade
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Ministra da Saúde diz que SNS não aguenta "continuar a lidar com estes números" e alerta para agravamento

Marta Temido admite fecho de todas as escolas. Decisão tomada amanhã em Conselho de Ministros.
Beatriz Madaleno de Assunção(beatrizassuncao@cmjornal.pt) 20 de Janeiro de 2021 às 23:19
Marta Temido
Marta Temido FOTO: Tiago Petinga/LUSA
A Ministra da Saúde, Marta Temido, abordou esta quarta-feira vários temas relacionados com a evolução da pandemia da Covid-19 em Portugal. Recorde-se que o país registou hoje 14 647 infetados e 219 mortos por Covid-19 em 24 horas, os valores mais elevados desde o início da pandemia, de acordo com boletim da DGS.

"Estamos no limite", disse Marta Temido relativamente a alguns hospitais que se encontram em rutura devido ao aumento de casos no país nas últimas semanas.

Em entrevista à RTP3, a ministra da Saúde avançou que o Governo admite o fecho das escolas, medida que será decidida amanhã, em Conselho de Ministros. A medida está em cima da mesa, muito em parte porque o país está a registar um aumento elevado de infeções com a nova estirpe britânica. "Estimamos que sejam 20% os casos de infeção desta variante", afirmou Marta Temido, que estima que até ao final do mês esses valores atinjam os 60%.

Apesar do aumento dos números, "o Governo não considera que hajam muitas aberturas", continuou, estimando no entanto que a situação se vai "agravar". "É necessário cortar as cadeias de transmissão", reforçou.

"Não podemos continuar a lidar com este número. O SNS não aguenta"
Relativamente aos recursos que há disponíveis para combater a pandemia, Marta Temido avançou que a falta de profissionais de saúde é preocupante, avançando que as camas "por si só não funcionam".

"Estamos a caminhar sobre gelo muito fino", reforçou, lembrando que o SNS aumentou o número de pessoas que fazem rastreio de 400 para cerca de 1100.

Medicina de catástrofe e quem salvar
Questionada sobre se, devido ao aumento das infeções e poucos recursos, os profissionais de saúde se encontram em situação de quem salvar, Marta Temido avançou que, os profissionais com quem falou "ainda não estão na situação de escolher".

"Medicina de catástrofe ainda não está a acontecer, mas estamos próximos", lançou. "Em novembro antecipámos cenários bastante complicados", remata.

Marta Temido garantiu ainda que o "oxigénio para os hospitais está a ser tratada com os fornecedores". Sobre os doentes oncólogicos, a ministra afirmou que situação está em permanente avaliação para que "ninguém fique para trás".

"Cabe a todos contribuir para travar uma pandemia que depende de uma transmissão, que depende de contactos", reforçou, lembrando que as pessoas sabem as regras, ainda que nem sempre as cumpram. "Não podemos viver numa falsa tranquilidade. Procuramos comunicar sempre com transparência e todos os factos", rematou.
COVID-19 Marta Temido
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