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Correio da Manhã

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"Situação é caótica": Infeciologista pediátrica diz que não basta fechar escolas, é preciso fechar tudo

Maria João Brito apelou à vacinação de todos os idosos, "os que morrem".
Lusa 20 de Janeiro de 2021 às 22:00
Hospital Dona Estefânia, em Lisboa
Hospital Dona Estefânia, em Lisboa FOTO: Mariline Alves
A infeciologista pediátrica Maria João Brito alertou esta quarta-feira que não basta encerrar as escolas, é preciso fechar tudo, porque o país está a viver uma "situação de catástrofe" e apelou à vacinação de todos os idosos, "os que morrem".

No dia em que Portugal registou o maior número de óbitos e de novos casos de covid-19, a responsável pela Unidade de Infeciologia do Hospital Dona Estefânia afirmou que esta situação não vai parar "enquanto alguém não resolver fechar tudo. Não é só as escolas, tem de fechar tudo, a situação é caótica".

"As pessoas têm de perceber que estamos numa situação muito, muito grave. Para mim, estou numa situação de catástrofe", lamentou.

A situação do país é "muito complicada. Ninguém sabe muito bem o que está a acontecer. Provavelmente a estirpe inglesa já estará em grande força no nosso país e, portanto, têm de fechar tudo", reiterou.

"Portugal é o pior país da Europa e o segundo pior do mundo [em termos de mortes e de casos], como é que as pessoas não percebem o que se está a passar aqui", questionou.

"As pessoas andam a andar nas ruas porque ninguém as manda ficar em casa", disse, lamentando que se façam confinamentos que "não são apropriados à situação" que o país está a viver do ponto de vista epidemiológico".

Para evitar mais mortes, a infeciologista defendeu que "a vacinação tem de ser para aqueles que morrem (...), os idosos, independentemente de estarem ou não em lares", porque "as vacinas são para proteger vidas, são para salvar vidas".

"As vacinas foram feitas em primeiro e em último lugar para diminuir a mortalidade. Portanto, o que eu quero dizer é que vacinem rapidamente os idosos para evitarmos mais mortos".

Relativamente às crianças, a médica afirmou que embora sejam menos atingidas que os adultos "a verdade é que aumentaram o número de casos".

"Temos casos internados, temos casos em cuidados intensivos e hoje estive de urgência e fartei-me de ver crianças com covid-19", disse a responsável pela unidade de referência para a covid-19 em idade pediátrica, pertencente ao Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC).

Neste momento, estão a aparecer mais crianças com a síndrome inflamatória multissistémica associada à covid-19, uma resposta anormal ao vírus em que as defesas do nosso corpo começam a atacar todos os órgãos.

"Antigamente tínhamos um caso de mês a mês, agora temos quatro crianças internadas" com esta doença. "Portanto, temos de tudo, como seria de esperar. Temos crianças pequenas, recém-nascidos, temos pneumonias covid-19, temos infeções cerebrais por SARS-Cov-2, temos tudo".

No D. Estefânia, que centraliza nesta altura quase todos os casos de covid-19, estão hoje internadas oito crianças em enfermaria e uma em cuidados intensivos, disse a especialista, adiantando que, neste momento, o hospital pediátrico ainda tem capacidade, apesar de poder vir a encher, mas já existe um "plano B".

"Muitos serviços de pediatria estão a fechar para os adultos começarem a trabalhar, os pediatras estão a trabalhar com os adultos e nós vamos ter que receber a pediatria", comentou.

Portugal registou hoje 219 mortes relacionadas com a covid-19 e 14.647 novos casos de infeção com o novo coronavírus, os valores mais elevados desde o início da pandemia, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim revela também que estão internadas 5.493 pessoas internadas, mais 202 do que na terça-feira, das quais 681 em unidades de cuidados intensivos, ou seja, mais 11, dois valores que também representam novos máximos da fase pandémica.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, Portugal já registou 9.465 mortes associadas à covid-19 e 581.605 infeções pelo vírus SARS-CoV-2, estando hoje ativos 143.776 casos, mais 7.935.

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