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Vive-se situação de "catástrofe, absolutamente dramática de rutura dos serviços", alertam Médicos do Centro

Tempos de espera no atendimento são impossíveis de serem cumpridos, alertam clínicos.

19 de janeiro de 2021 às 11:01

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) disse hoje que é "impossível" respeitar qualquer tempo de espera no atendimento nos hospitais da região face à "enormidade" da afluência de doentes.

"Os hospitais e serviços de urgência da região estão todos em rutura. Além do número de doentes que entram, junta-se o problema dos que não conseguem sair por falta de vaga no internamento", retratou Carlos Cortes, em declarações à agência Lusa.

O médico e dirigente considera que se vive uma situação de "catástrofe, absolutamente dramática de rutura dos serviços", salientando que as unidades de saúde já estão a "selecionar os doentes mais graves", em prejuízo dos doentes não covid.

Segundo o presidente da SRCOM, "só os doentes mais graves com covid-19 têm acesso aos cuidados intensivos", contrariamente ao que se passava antes de o "sistema entrar em rutura".

"Era importante existirem hospitais de retaguarda, veja-se o caso de Coimbra: só hoje entra em atividade o centro de Saúde Militar", referiu Carlos Cortes, sublinhando que "não existem hospitais de campanha".

Para o dirigente, o país e a região Centro estão com números "impressionantes e a reação é frouxa, parece que há medo de reagir".

"O número de casos na região Centro tem aumentado desde o final do ano passado e está, neste momento, com tendência de forte crescimento. No final de dezembro, a média rondava os 600 a 800 casos diários e, atualmente, estamos a atingir o patamar dos 2.000 casos diários", refere.

A SRCOM entende que "as tímidas medidas definidas para este confinamento são, para utilizar um termo muito caro à Direção-Geral da Saúde, completamente desproporcionadas face à falência das instituições de saúde e ao caos que, pouco a pouco, se está a instalar".

O responsável considera uma "irresponsabilidade" manter as escolas abertas, frisando que é um erro que se vai "pagar caro".

Carlos Cortes salienta ainda que o Governo tornou a situação "mais explosiva", ao decidir abrir os espaços de Atividades de Tempos Livres (ATL), que, na sua opinião, vão contribuir para "disseminar mais o vírus, pois está provado que as crianças são fatores de transmissão importantes".

O presidente da SRCOM lamenta ainda que não se esteja a dar a devida atenção a patologias graves não covid-19 devido à "hiperfocalização do Serviço Nacional de Saúde" nos doentes da pandemia".

"Devíamos estar a tratar as pessoas de acordo com a gravidade da sua patologia e isso não está a ser feito", sublinhou, exortando os responsáveis do Ministério, da Direção-Geral da Saúde e da Administração Regional de Saúde do Centro a implementarem medidas "mais restritivas e corajosas" e a "não permitirem, sob qualquer pretexto, que os doentes com outras patologias graves e prioritárias possam ser discriminados".

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