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Correio da Manhã

Sociedade
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Crato acusado de “manipular opinião pública”

A Fenprof reagiu à entrevista de Nuno Crato, considerando que o Ministro da Educação e da Ciência trouxe "mais achas para a fogueira" na luta dos professores.
5 de Junho de 2013 às 09:20

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, considerou que a entrevista do ministro da Educação, na terça-feira, foi uma "tentativa de manipulação da opinião pública contra os professores" que trouxe "mais achas para a fogueira" na luta dos docentes.

Em entrevista à ‘TVI24’, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, criticou os sindicatos de professores por terem decidido fazer greves às avaliações (entre 7 e 14 de junho) e por terem agendado uma greve geral para o dia em que se realiza o primeiro exame nacional do ensino secundário: "Este tipo de atitude, que é tomar como refém os nossos alunos, é algo com que não se deve brincar".

Em reação às declarações do governante, Mário Nogueira, considerou que "o Ministério da Educação é que está a transformar os alunos em escudos, ao ter marcado para esta altura as negociações".

Para o líder da Fenprof, a entrevista do ministro "foi uma tentativa de manipulação da opinião pública contra os professores e é mais uma acha para a fogueira", ao anunciar que os professores vão passar a trabalhar 40 horas por semana já em setembro, mas sem aumento da componente letiva.

Mário Nogueira diz também que já não acredita nas promessas do Ministro. “Já em janeiro dizia que não haveria mobilidade para os professores, e afinal há. Os seus compromissos valem zero", comentou à agência Lusa.

Mário Nogueira explicou que os professores têm pouco tempo para fazer valer as suas posições, uma vez que dentro de um mês começa a época de férias e as decisões governamentais deverão ser para começar no início do próximo ano escolar.

"O ministro sabia que quando marcou para esta altura a apresentação destas propostas gravíssimas [mobilidade especial e alargamento do horário de trabalho para as 40 horas semanais] que era uma altura complicada para a luta", explicou o sindicalista.

Para Nuno Crato, os professores não podem ser uma classe de exceção na funções pública. "Nós estamos dispostos a negociar mais medidas, mas não podemos dizer: Toda a função pública passa a trabalhar mais 40 horas, menos os professores, nem toda a função pública passa a ter a possibilidade de mobilidade especial menos os professores. Nós não podemos fazer isso", assinalou o ministro.

O alargamento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais é uma das principais razões para as greves às avaliações, agendadas entre 7 e 14 de Junho, e uma greve geral que coincide com o primeiro dia de exames nacionais do ensino secundário.

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