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Correio da Manhã

Sociedade
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Criança de 10 anos não resiste ao vírus

Adriano Aragão, um menino de 10 anos, morreu ontem de manhã no Hospital D. Estefânia, em Lisboa. É a primeira criança a morrer de gripe A em Portugal. A morte ocorreu cerca de 72 horas após o aparecimento dos primeiros sintomas gripais.
29 de Outubro de 2009 às 00:30
Paulo Aragão, pai de Adriano, e Dori, a madrasta, criticam a “falta de preparação” do Hospital S. Francisco Xavier para lidar com casos suspeitos da gripe A. Adriano morreu ontem, com dez anos.
Paulo Aragão, pai de Adriano, e Dori, a madrasta, criticam a “falta de preparação” do Hospital S. Francisco Xavier para lidar com casos suspeitos da gripe A. Adriano morreu ontem, com dez anos. FOTO: Mariline Alves

O jovem, aluno da escola EB 2,3 Paula Vicente, no Restelo, e tida como uma criança saudável, sentiu-se mal no fim-de-semana, o que não impediu que fosse à escola no dia seguinte. Nas aulas, Adriano sentiu-se mal e pediu para ir para casa. A família levou-o ao Hospital de São Francisco de Xavier. A madrasta da criança, Dori Aragão, critica a assistência prestada pela unidade: 'Não fizeram exames no São Francisco Xavier. Disseram que o Adriano tinha rinite alérgica e mandaram-no para o Dona Estefânia'. De acordo com o estabelecido pelo Ministério da Saúde, os hospitais devem enviar os casos suspeitos para as unidades de referência – neste caso, o D. Estefânia.

A criança deu entrada no hospital ontem de madrugada, com sintomas gripais e ainda esteve ventilado. Foram realizadas 'análises laboratoriais e identificado o vírus H1N1 nas secreções respiratórias', segundo o Centro Hospitalar Lisboa Central. A autópsia realiza-se hoje.

A Escola Paula Vicente não fechou portas, apesar de ter três casos confirmados entre os alunos e vários casos suspeitos. O director-geral da Saúde, Francisco George, recusou comentar ao CM 'qualquer caso em particular' e escusou-se a dizer se a escola devia fechar portas ou manter o seu funcionamento. Os professores não são considerados prioritários na vacinação contra a gripe A e as crianças só serão vacinadas no final do ano.

No Restelo, onde a família reside, os vizinhos mostravam-se incrédulos com a morte repentina do menino. 'Era uma beleza aquele rapaz. Sempre saudável. Não tem explicação', disse ao CM Maria Emília Neves, porteira há 40 anos no prédio onde mora a família da criança. Conhecido por todos na zona, devido à papelaria do avô ser mesmo à frente da escola, Adriano era bastante estimado. 'Os avós têm uma papelaria muito conhecida, praticamente cresceu ali. Todos os dias via o menino bem-disposto', contou Maria Isabel Ribeiro, vizinha de Adriano.

ESQUALENO NÃO É UM RISCO

O investigador Pedro Simas, do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, declarou ao CM 'não haver quaisquer estudos científicos que indiquem que o esqualeno, um composto da vacina Pandemrix, seja um risco para as pessoas'. A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) esclareceu que esse adjuvante tem sido utilizado noutras vacinas sem que tenha sido identificado qualquer risco significativo. A Pandemrix foi aprovada pela Organização Mundial de Saúde e escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada em todos os Estados-membros, mas os Estados Unidos recusaram utilizar o composto.

Entre os dias 19 e 25 deste mês foram diagnosticados 4732 doentes com sintomas gripais, com quatro doentes em cuidados intensivos. O total de casos de gripe em Portugal ultrapassa os 21 mil.

APONTAMENTOS

149 FOCOS NAS ESCOLAS

Segundo o Ministério da Saúde, entre os dias 22 e 28 registaram--se 149 casos de gripe A em escolas de todo o País.

SETE DIAS EM CASA

O Ministério da Educação enviou uma circular para as escolas, determinando que as crianças com sintomas gripais devem ficar em casa pelo menos durante sete dias.

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