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Correio da Manhã

Sociedade
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Crianças esperam mais de quatro horas nas Urgências em Portugal

Médicos evidenciam "as ausências de rumo e de estratégia, face às dificuldades inerentes ao próprio SNS".
Edgar Nascimento 30 de Novembro de 2022 às 01:30
Crianças nas Urgências em Portugal esperam mais de 4 horas
Crianças nas Urgências em Portugal esperam mais de 4 horas FOTO: DR

As temperaturas baixas dos últimos dias fizeram disparar a procura dos serviços de Urgência dos hospitais. A meio da tarde de terça-feira, os tempos de espera era maior nas Urgências Pediátricas do que nas de adultos. Em alguns hospitais, como o D. Estefânia (Lisboa) ou o de Viseu, a espera das pulseiras verdes (menos urgentes) na Pediatria era superior a 4 horas. Noutros hospitais, como os de Cascais, Vila Franca de Xira, Aveiro, Torres Novas e Barreiro, os bebés e crianças eram obrigados a esperar mais de 3 horas para serem vistos por um médico. Nos casos das crianças com pulseira amarela (urgente), a unidade com mais tempo de espera era o Hospital de Penafiel, com 2 horas e 48 minutos. No Hospital de Torres Novas, as crianças triadas como urgentes esperavam 2 horas e 36 minutos.

Nas Urgências de adultos, os utentes com pulseira verde podiam esperar 4 horas e 15 minutos no Hospital de Loures e mais de 5 horas no Amadora-Sintra. Neste hospital, os chefes e subchefes das equipas do Serviço de Urgência de Medicina apresentaram esta terça-feira a demissão, por considerarem estar em causa a qualidade assistencial e a segurança dos utentes. Os 44 médicos afirmam que o hospital "vive, uma vez mais, momentos de enorme dificuldade na nobre missão de prestar a melhor atividade assistencial à população que a ele recorre". Os médicos afirmam que, "às portas de mais um inverno, cuja conjugação de fatores faz sentir uma elevadíssima pressão na atividade assistencial", não podem deixar de evidenciar "as ausências de rumo e de estratégia que, face às dificuldades inerentes ao próprio SNS, permitiriam enfrentar os difíceis momentos que se avizinham".

A decisão dos responsáveis do Hospital Amadora-Sintra surgiu um dia depois de o mesmo ter sido feito pelos chefes das equipas de Urgência do Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, em protesto com a escala de dezembro, que consideram estar "abaixo dos mínimos". Numa reunião com os especialistas, o hospital assegurou que estão a ser tomadas medidas para o reforço da equipa.

Pormenores

Metade são não urgentes
Segundo a administração do Hospital Garcia de Orta, nas últimas semanas tem-se registado uma maior afluência por parte de utentes, "dos quais cerca de 56% representam situações não urgentes".

Utentes querem saber
A Comissão de Utentes de Saúde do Seixal pediu esclarecimentos ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, sobre a situação que levou à demissão dos chefes de equipa de Urgência, alertando que a falta de meios humanos é estrutural.

Temperatura negativas para os próximos dias
Os próximos dias poderão ser de mais afluência às Urgências hospitalares. Quinta-feira é feriado nacional - os cuidados de saúde primários estão encerrados -, e está prevista uma diminuição da temperatura mínima, que pode chegar a -2º C no Interior Norte e centro, 7º C em Lisboa e Faro e 5º C no Porto.

"Contacto com as chefias"
A administração do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) adianta que "manteve sempre o contacto com chefias do Serviço de Urgência". Refere que, entre 21 e 27 deste mês, a média de admissões nas Urgências foi de cerca de 800/dia e seis em cada 10 utentes eram pouco urgentes ou não urgentes. Ficou agendada nova reunião.

‘Labirinto’ para obter informação
Segundo o Governo, há 176 centros de saúde com horário alargado. Para saber quais são, é preciso ter acesso à Internet e percorrer várias páginas: entre no portal do SNS, clique em ‘resposta sazonal em saúde/inverno’, e depois em ‘medidas prioritárias’. Segue-se as ‘medidas para o cidadão/comunidade’. Aqui pode procurar por região.

Ministro reconhece problema "crónico"
O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, reconheceu o problema "crónico" com as Urgências, que se deve ao "afluxo excessivo" aos serviços. "A responsabilidade é a forma como organizamos o sistema", disse.

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