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Correio da Manhã

Sociedade
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“Criar um genoma que combata infecções”

Carolino Monteiro, Especialista em Genética Molecular sobre a criação de uma célula viva com genoma sintético
22 de Maio de 2010 às 00:30
“Criar um genoma que combata infecções”
“Criar um genoma que combata infecções”

Correio da Manhã – O que pode representar para a Medicina a criação de uma célula artificial, divulgada ontem?

Carolino Monteiro – A criação desta célula tem uma grande vantagem para a Medicina do ponto de vista humano: com esta tecnologia podemos fazer uso de informações não só de seres humanos como também das bactérias, ou vírus que nos infectam, e criar um genoma que combata essa infecção.

– Mas pode ser aplicada noutras áreas?

– Também tem outra vantagem, que é ambiental. Posso dar como exemplo o desastre ecológico causado pelo derrame do petróleo na costa do México: com a nova célula pode colocar-se um novo genoma na bactéria que provoca este fenómeno, de modo a degradar a bactéria.

– Como foi o processo de criação desta célula?

– Em primeiro lugar, devo dizer que esta não é uma célula sintética, o ADN é que é sintético. Esta célula foi produzida através de uma bactéria original, da qual foi retirado o ADN e colocado um outro ADN sintético.

– Dentro de quanto tempo é que esta investigação poderá ser aplicada na Medicina?

– Vai ser mais cedo do que se pensa. Em 2007, Craig Venter [líder da equipa de investigadores do Instituto Craig Venter] publicou artigos sobre este assunto e tem estado a trabalhar no tema há dois anos. Penso que, neste momento, o Laboratório de Venter já está a trabalhar na sua aplicação prática.

– Vê algum inconveniente ético com esta descoberta?

– Não vejo nenhum problema. Já há pessoas que consideram que é uma descoberta antiética. Temos de encarar este assunto de duas formas, positiva e negativa: os aspectos positivos são maiores e não penso que os cientistas possam utilizar esta ciência de forma negativa.

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