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Correio da Manhã

Sociedade
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Crise agrava dificuldades das famílias de crianças com cancro

A crise económica tem agravado as dificuldades das famílias de crianças com cancro que, decididas a dar todo o seu apoio à família, se vêm obrigadas a faltar ao seu emprego por períodos consideráveis, pondo o seu posto de trabalho em perigo. Os pedidos de ajuda são o seu último recurso.
14 de Fevereiro de 2012 às 14:21
Crise económica agrava dificuldades das famílias de crianças com cancro
Crise económica agrava dificuldades das famílias de crianças com cancro FOTO: CM

A denúncia é de Margarida Cruz, directora geral da Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro (Acreditar), a propósito do Dia Internacional da Criança com Cancro, que se assinala na quarta-feira.

Se, por um lado, Margarida Cruz enaltece a rapidez com que o diagnóstico ao cancro é feito em Portugal, nomeadamente nas crianças, o que conduz a um cada vez mais precoce tratamento e respectivo sucesso, "do ponto de vista social as coisas estão cada vez mais complicadas".

"Estas famílias [de crianças com cancro] estão a ter cada vez mais dificuldades económicas" e a sofrer as consequências de acompanhar "uma doença grave que se prolonga no tempo".

Por um lado, especificou, "muita gente perde o trabalho", principalmente pessoas com trabalhos precários que ficam sem o emprego porque precisam de acompanhar um filho durante dois ou três anos.

A este propósito, a dirigente associativa lamentou que a legislação que poderia facilitar a vida destas famílias (Lei 71/2009, que criou um regime especial de protecção de crianças e jovens com doença oncológica) não tenha sido ainda regulamentada.

Um dos aspectos que esta legislação poderia melhorar refere-se à possibilidade dos familiares acompanharem as crianças, mesmo após o seu internamento.

"Muitas vezes os pais têm de solicitar uma baixa para si, pois não têm mais dias de assistência à família para gozarem, o que no caso dos funcionários públicos são 30 dias", adiantou.

Numa doença como esta, especificou, esse tempo "é manifestamente insuficiente", disse.

Além do enorme "impacto financeiro e psicológico desta situação", Margarida Cruz identifica ainda outras perdas de apoios, como no caso do transporte.

Por todos estes motivos, a Acreditar tem vindo a ser cada vez mais solicitada para apoiar estas famílias, tendo por isso conhecimento de situações "dramáticas" como de agregados que deixam de pagar as casas ou simplesmente não têm dinheiro para o transporte.

A propósito da efeméride que se assinala quarta-feira, Margarida Cruz apela a que se olhe estas famílias e crianças "como pessoas que estão a sofrer e precisam de um apoio grande".

"A sociedade devia encarar de frente esta necessidade de apoio muito grande, para as crianças poderem vir a ser cidadãos plenos", disse.

Todos os anos são diagnosticados em Portugal 350 novos casos de cancro em crianças. No mundo inteiro, a doença atinge todos os anos cerca de 175 mil crianças. Destas, cerca de 90 mil vão morrer.

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