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Correio da Manhã

Sociedade
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Crise dispara venda de óvulos

Os 650 euros pagos como compensação pelos transtornos e riscos que as mulheres têm são aliciantes para quem enfrenta dificuldades económicas.
21 de Maio de 2011 às 00:30
Os casais inférteis recebem os óvulos doados por mulheres jovens e saudáveis. O objectivo é uma gravidez
Os casais inférteis recebem os óvulos doados por mulheres jovens e saudáveis. O objectivo é uma gravidez FOTO: d.r.

A crise económica fez disparar a corrida às clínicas de fertilidade para as mulheres doarem ovócitos (células que facilitam a gravidez), recebendo como compensação os 650 euros determinados por lei. Uma das clínicas contactadas pelo CM está a receber, em média, quatro dadoras por semana. Cada mulher só pode doar o material biológico três vezes e deve ter entre 18 e 35 anos.

O aumento da procura das unidades de saúde que fazem tratamentos de fertilidade e recolha do material biológico não espanta os responsáveis pela associação que representa as clínicas privadas no País que se dedicam a este tratamento.

Filomena Gonçalves, vice-presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade), afirmou ao CM "não ser estra-nho haver uma maior oferta de dadoras".

Segundo sublinhou, a "questão do dinheiro sempre existiu e a crise pode ser um factor preponderante que leva mais mulheres a doarem os ovócitos e a considerarem essas compensações económicas como pequenas fontes de rendimento".

No entanto, sublinha, "as mulheres não podem fazer disso uma profissão" e deu como exemplo o caso dos Estados Unidos, onde as estudantes universitárias, se forem boas dadoras, pagam os estudos com a doação desse material biológico.

Filomena Gonçalves considera os 650 euros "o valor certo", apesar de haver países que pagam mais como, por exemplo, em Espanha onde o preço ronda os 900 euros.

A verba atribuída em Portugal ajuda a compensar os transtornos que a doação de ovócitos causa na vida da dadora e pelos riscos para a saúde.

A mulher submete-se a uma pequena intervenção cirúrgica e tem de tomar hormonas para a estimulação das células reprodutivas.

"Muitas mulheres deixam de trabalhar durante os dez dias do tratamento da recolha dos ovócitos porque têm de fazer um controlo apertado do resultado da estimulação hormonal", salienta ainda Filomena Gonçalves.

MAIOR AFLUÊNCIA DE DADORAS NO PERÍODO DE NATAL

Uma das clínicas que regista um aumento da afluência de dadoras é a Cemeare, em Lisboa. A directora clínica, Maria José Carvalho, atribui o aumento à publicidade feita pela clínica e não aos problemas económicos das dadoras. No entanto, recorda que "no último Natal tiveram mulheres que precisavam de dinheiro e manifestaram grande preocupação em saber quando é que poderiam receber a compensação". Maria José Carvalho salienta ainda que a clínica faz esse pagamento no final do processo, que dura dez dias. 

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