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Correio da Manhã

Sociedade
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Crise já afecta negócio equestre

Os efeitos da crise já se fazem sentir no sector do cavalo, não só no mercado interno como no externo – os clientes estrangeiros têm diminuído o pedido de encomendas, sobretudo os franceses, alemães e italianos. Para minimizar os efeitos da crise e promover o cavalo que nasce e se cria em Portugal, começou ontem na Golegã a 37ª edição da Feira Nacional do Cavalo, o maior certame da Península Ibérica do mundo equestre.
3 de Novembro de 2012 às 01:00
Os milhares de visitantes da feira podem passear de charrete e viver um intenso ambiente equestre
Os milhares de visitantes da feira podem passear de charrete e viver um intenso ambiente equestre FOTO: joão santos

Segundo afirmaram ao CM várias fontes do sector, a criação de cavalos gera anualmente mais de dez milhões de euros à economia nacional. "O mercado cavalar está a atravessar uma crise difícil de resolver", reconhece ao CM José Veiga Maltez, responsável pela feira e presidente da Associação Nacional de Criadores de Raças Selectas. "Os criadores nacionais estão a sentir os efeitos da diminuição do poder de compra a nível europeu, sobretudo por parte de alguns países que estão a adquirir muito menos animais", explicou Veiga Maltez. Uma vez que os encargos fixos da criação de cavalos são relativamente elevados, "as coudelarias sentem cada vez mais dificuldades em rentabilizar esta actividade", explicou.

Sobre a Feira Nacional do Cavalo, Veiga Maltez acredita que "dificilmente será afectada pela crise". "Esta feira tem um público muito específico e fidelizado, que jamais deixa de marcar presença num certame que é um dos maiores entrepostos mundiais do cavalo lusitano e de tudo o que gira à roda do mundo equestre", afirmou. Um cavalo puro sangue lusitano com menos de quatro anos vale mais de cinco mil euros. Os de categoria superior podem valer até cem mil euros.

Até dia 11, a vila ribatejana vai receber milhares de visitantes nacionais e estrangeiros à procura do ambiente único desta festa popular onde cavaleiros e amazonas trajadas a rigor se passeiam, a cavalo ou de charrete, nas ruas e picadeiro. 

Hotéis da Golegã esgotados há várias semanas

Para poderem desfilar no picadeiro central e circular nas ruas da Golegã, todos os animais têm obrigatoriamente de ser registados. Em 2011, matricularam-se mais de 1800 cavalos e 185 charretes, números que significam um acréscimo em relação a 2010 e que a organização espera bater nesta edição. A capacidade hoteleira da região da Golegã está esgotada há várias semanas, com todos os hotéis, pensões e unidades de turismo rural lotadas ou muito próximas disso. 

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