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Correio da Manhã

Sociedade
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Crise faz aumentar pedidos de ajuda a instituições

Alerta é do bispo de Beja.
14 de Março de 2015 às 08:24
"Há possibilidades de ajudar as pessoas a que, pelo menos, não passem fome", sublinha o bispo de Beja
'Há possibilidades de ajudar as pessoas a que, pelo menos, não passem fome', sublinha o bispo de Beja FOTO: Nuno Veiga/Lusa

Os pedidos de ajuda a instituições sociais do Baixo Alentejo têm aumentado devido à crise, sobretudo por parte de idosos, desempregados e pessoas de classe média que vivem numa situação de "pobreza envergonhada", alertou o bispo de Beja.

"As pessoas vivem um momento de mais austeridade" e "mesmo aqueles que antes nunca recorriam a instituições a pedir ajuda", como pessoas de classe média, atualmente, "alguns com uma certa vergonha, veem-se obrigados a recorrer", por não conseguirem suportar as despesas, disse António Vitalino Dantas, em entrevista à agência Lusa.

As pessoas que recorrem à Cáritas de Beja pedem ajuda para poderem "solucionar problemas de primeira necessidade", como falta de alimentos e roupas e dificuldades em pagar despesas básicas, como as de eletricidade, água, médicos, farmácia e prestações da casa.

Através das instituições sociais, "há possibilidades de ajudar as pessoas a que, pelo menos, não passem fome", mas "há casos sociais graves" de idosos que "estão muito sós", alertou, referindo que "é preciso estar atento para não deixar essas pessoas morrerem desamparadas e sós".

Por outro lado, "o desemprego tem afetado muita gente", sobretudo jovens, que não conseguem o primeiro emprego e, por isso, "muitos emigram", lamentou António Vitalino Dantas, que está há 16 anos à frente da Diocese de Beja.

Ajudar famílias em dificuldade

A Diocese "não tem grandes meios" e vive "muito de donativos", mas, "logo que começou a crise", criou, em 2012, o Fundo de Emergência Social para a Cáritas ajudar famílias com dificuldades.

Através do fundo, "alimentado por muitas fontes", a Cáritas tem "ajudado muitas famílias", em várias áreas, para que "não fiquem desamparadas", frisou, referindo que os refeitórios sociais "têm sido uma grande ajuda".

António Vitalino Dantas, de 72 anos, que assumiu as funções de bispo de Beja em 1999, sucedendo ao falecido Manuel Falcão, é conhecido como o bispo das tecnologias.

"Um bispo deve comunicar, porque se não comunica e fica só dentro do seu gabinete não tem possibilidades de exercer a sua missão, que é ir ao encontro das pessoas", defendeu António Vitalino Dantas, que já falou com o papa

Francisco uma vez pessoalmente e algumas vezes por escrito.

Baixo Alentejo bispo de Beja António Vitalino Dantas
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