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Correio da Manhã

Sociedade

"Das mentes mais brilhantes dos nossos tempos": As reações à morte de José Cutileiro

Diplomata morreu este domingo, aos 85 anos, em Bruxelas.
Lusa 17 de Maio de 2020 às 13:50
José Cutileiro
José Cutileiro FOTO: Hugo Rainho / Correio da Manhã
O embaixador José Cutileiro morreu este domingo, aos 85 anos, em Bruxelas, onde vivia, disse à Lusa a sua mulher.

Cronista e escritor, José Cutileiro foi um dos negociadores da adesão de Portugal à União da Europa Ocidental (UEO) e integrou a equipa de coordenação da Conferência de Paz para a Jugoslávia, em 1992, entre outros cargos ao longo da sua carreira.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do embaixador José Cutileiro, recordando-o como "um magnífico diplomata, um homem da cultura" e também "um grande cronista" que marcou gerações.

Em declarações aos jornalistas, enquanto passeava na Ericeira, no concelho de Mafra, distrito de Lisboa, o chefe de Estado referiu que teve a oportunidade de "conhecer muito bem" José Cutileiro, quando "era responsável num órgão de informação onde ele foi um colunista constante", o semanário Expresso.

"Foi, além de um magnífico diplomata, um homem da cultura. Um homem muito inteligente, que escrevia muitíssimo bem, um grande ensaísta, um grande colunista, um grande comentarista, e depois também um grande cronista no sentido de contar a sua vida e a vida dos outros e analisar de forma às vezes impiedosa, mas de forma muito lúcida, muito inteligente a vida nacional", elogiou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, José Cutileiro "fez dos melhores comentários de política internacional, durante muitas décadas".

"Portanto, reconhecemos o seu talento no que escrevia, na forma como escrevia, na maneira como via o mundo, como via a Europa, como via Portugal e o papel de Portugal. Marcou várias gerações, fica aqui o meu testemunho de amizade e de agradecimento", acrescentou.

Ministério dos Negócios Estrangeiros: "Deixa a diplomacia portuguesa muito mais pobre"
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) foi um dos primeiros organismos a reagir à morte do diplomata português, reforçando que o seu desaparecimento "deixa a diplomacia portuguesa muito mais pobre".

"Nas várias missões que desempenhou, foi sempre um excecional servidor das causas e dos interesses de Portugal", lê-se ainda na mensagem, divulgada pelo MNE na rede social Twitter.

"O seu profissionalismo e dedicação, o modo como prestigiou o país no estrangeiro e como ocupou importantes cargos internacionais, são um exemplo para todos os diplomatas", concluiu.

"Foi das mentes mais brilhantes dos nossos tempos", diz Ministro da Defesa Nacional
"Foi das mentes mais brilhantes dos nossos tempos", escreveu o ministro da Defesa Nacional e diplomata, João Gomes Cravinho, no Twitter, lamentando a "tristíssima notícia".

"A generosidade intelectual era imensa; em cada uma das crónicas, através da prosa luminosa e do maravilhoso sentido de humor encontramos autênticas pérolas", escreveu ainda o ministro.


"Notável diplomata e intelectual", diz Durão Barroso
O ex-primeiro-ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso lamentou a morte do "notável diplomata e intelectual" José Cutileiro numa mensagem na sua conta oficial no Twitter.

"Com grande pesar soube da morte de José Cutileiro, notável diplomata e intelectual com quem aprofundei amizade durante dez anos em que foi meu conselheiro especial na Comissão Europeia", escreveu Durão Barroso.

"Um olhar muito cético sobre o nosso País, essa era a forma como gostava de ser português", acrescentou.

O embaixador integrou o grupo de conselheiros especiais da presidência de Durão Barroso da Comissão Europeia (2004-2014).

João Vale de almeida: "lucidez penetrante e indomável"

O embaixador da União Europeia (UE) no Reino Unido, o diplomata português João Vale de Almeida, destacou a "lucidez penetrante e indomável" do "mestre" José Cutileiro.

"Faleceu o Embaixador José Cutileiro. Amigo e companheiro de lides europeias e estratégicas, com ele aprendi muito sempre que jantávamos em Bruxelas ou lhe falava do outro lado do Atlântico", escreveu na sua conta na rede social Twitter Vale de Almeida.

"Lucidez penetrante e indomável, memória, cultura e escrita únicas. R.I.P Mestre", acrescentou.

João Vale de Almeida alude, com as referências a Bruxelas e Washington, aos tempos em QUE integrou a Comissão Europeia, como porta-voz, diretor-geral e mais tarde chefe de gabinete de José Manuel Durão Barroso, e em que foi embaixador da UE nos Estados Unidos.


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