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Correio da Manhã

Sociedade
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Delinquentes aos sete

As crianças com sete anos já revelam sinais de que podem vir a tornar-se delinquentes e por isso há que intervir muito cedo, defende Daniel Sampaio.

23 de Junho de 2008 às 15:00
Intervir logo na infância pode ser decisivo para evitar comportamentos violentos mais tarde
Intervir logo na infância pode ser decisivo para evitar comportamentos violentos mais tarde FOTO: Andre Kosters, Lusa

O psiquiatra é um dos oradores da ‘4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar’, que entre hoje e quarta-feira reúne em Lisboa os maiores especialistas da área. 'Podemos ter sinais de alarme muito precoces, logo aos 7, 8 anos, que tornam a criança susceptível de vir a ter comportamentos delinquentes. Esses sinais são comportamentos de violência para com os colegas, destruição de material escolar, dificuldade em fazer amigos. Há, por isso, que intervir muito cedo, a três níveis: escola, família e comunidade', afirmou ao CM.

As últimas estatísticas oficiais indicam uma redução da violência escolar, mas Sampaio alerta para a violência escondida: 'Em Portugal, não temos comportamentos de grande violência, mas muitas vezes esta instala-se de forma surda, com pequenas situações de ameaças nas casas de banho ou casos de bullying, provocação e humilhação entre alunos', indica.

Já para a investigadora Margarida Matos, que coordenou um estudo a apresentar na Conferência, há claramente uma melhoria. 'A violência e o bullying subiram entre 1998 e 2002, mas a partir daí têm vindo a descer. Por vezes a percepção que as pessoas têm é contrária porque, felizmente, somos cada vez mais intolerantes face à violência. A imprensa relata mais casos e as pessoas assustam-se', conclui.

PINTO MONTEIRO NA CONFERÊNCIA SOBRE VIOLÊNCIA

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos principais promotores do debate mantido nos últimos tempos em Portugal sobre violência escolar, estará hoje na abertura da ‘4ª Conferência Mundial sobre Violência na Escola e Políticas Públicas’, que decorre até quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Também marcarão presença na abertura da conferência a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o antigo ministro David Justino, em representação da Presidência da República.

'CHEGAM CASOS GRAVES' (João Grancho, Coordenador da Linha Bullying)

Correio da Manhã – A linha de apoio a vítimas de bullying (808 968 888) já recebeu muitas chamadas?

João Grancho – Já recebemos cerca de vinte contactos num mês. Em quantidade não é muito, mas os casos que nos chegam são graves, de jovens que sofrem muito com a situação em que vivem e que pode provocar insucesso e abandono escolar ou outras situações bem mais complicadas.

– São jovens de que idades? Os pais também ligam?

– Até são os pais quem mais ligam para a linha. As vítimas têm entre 11 e 15 anos. Importante é que cada vez estão mais alerta e percebem a diferença entre o que é normal e o que é uma agressão.

OCORRÊNCIAS

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Ocorrências: 10 964 (2005/06) / 7028 (2006/07)

Interior da Escola: 7740 (2005/06) / 3533 (2006/07)

Exterior da Escola: 3224 (2005/06) / 3495 (2006/07)

DADOS DE 2006/07

Furtos: 25,8 %

Ofensa à integridade física/tentativa de agressão/agressão: 24,2 %

Injúrias/ameaças/difamação: 15,2 %

Posse/uso de arma: 2 %

1252 ocorrências com alunos

402 ocorrências com professores

322 ocorrências com funcionários

Fonte: Ministério da Educação e MAI

 

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