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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Demolição de estrutura de bar na Praia do Ourigo concluída em 20 dias

Ministra do Ambiente e Energia visitou o início dos trabalhos, saudando uma demolição que estava "prevista desde 2015" mas só agora avançou.

23 de junho de 2026 às 16:58

O "pequeno monstro", como lhe chamou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que é uma estrutura de bar na Praia do Ourigo, no Porto, começou esta terça-feira a ser demolido, intervenção a ser concluída em 20 dias.

A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, visitou esta terça-feira o início dos trabalhos, saudando uma demolição que estava "prevista desde 2015" mas só agora avançou, embora tenha atrasado em relação ao prazo inicial dado pela APA, que apontou o início da época balnear como limite.

"Há todo um modelo administrativo para estes procedimentos e isto é um daqueles casos que nos têm de fazer refletir, que é: uma coisa tão óbvia para demolir, não tem outra solução se não demolir, que é desejado por toda a população do Porto e quem visita, por questões de segurança, ambientais e beleza da praia... porque é que precisa de processos administrativos tão complexos?", questionou.

Maria da Graça Carvalho saudou ainda a "obra relativamente barata", em comparação com outras intervenções, custando cerca de 51 mil euros.

"Vai dar valor acrescentado muito grande a esta praia. Vai ser feito, só é pena ter demorado tanto tempo", acrescentou a governante.

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), saudou precisamente a "vontade política" que mudou em relação a estes procedimentos, elogiando a antiga colega no governo anterior, bem como a APA.

Para o presidente da agência, José Pimenta Machado, aquela estrutura é "um pequeno monstro" que era "fundamental demolir", tendo dito pouco antes de falar aos jornalistas, ao receber a ministra, que esta era "uma prenda de São João" que queria dar ao autarca portuense, na véspera do feriado municipal.

Questionado sobre se o promotor foi incluído no processo e, de alguma forma, compensado pela demolição, Pimenta Machado explicou que foi feito "tudo o que havia a fazer do ponto de vista administrativo".

"Notificámos o promotor para demolir, não respondeu, e tomámos a iniciativa. Está aqui a APA a fazer esse trabalho de demolir este espaço no domínio público", declarou, sem responder à questão da compensação.

Pedro Duarte, por seu lado, vê esta empreitada como uma boa notícia para "devolver cidade à comunidade", admitindo que o executivo que lidera é "muito ambicioso" e quererá "mais" para a frente marítima da cidade, no dia em que anunciou, para a frente ribeirinha, uma nova ponte pedonal e ciclável.

"Temos ideias, projetos, e vamos discuti-los ainda. Em alguns casos muito concretos, como é o Edifício Transparente, temos uma vontade muito grande de fazer algo parecido com isto, devolver à cidade um espaço que também é de excelência", acrescentou.

A 18 de junho, Pedro Duarte já tinha adiantado o arranque da empreitada esta semana, chamando-lhe "entulho".

Esta intervenção, gerida pela APA, consta do relatório técnico que aquele organismo apresentou a 11 de março e é a única para o município do Porto.

As ruínas de um bar na Praia do Ourigo são a única estrutura no Porto listada no relatório, que diz respeito às ocorrências na faixa costeira de Portugal continental entre outubro de 2025 e os primeiros dias de março, um levantamento dos efeitos do mau tempo, e sucessivas tempestades, no país.

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