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Correio da Manhã

Sociedade
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Descoberto novo órgão no corpo humano

Interstício designa uma "rede de estradas" no seu corpo. Pode ajudar investigadores a perceber como se espalha o cancro.
28 de Março de 2018 às 11:48
Interstício foi descoberto como novo órgão do corpo humano
Interstício foi descoberto como novo órgão do corpo humano FOTO: Direitos Reservados

É um dos maiores órgãos do nosso corpo, mas nunca o tínhamos conseguido ver. Trata-se do interstício, descoberto por cientistas norte-americanos: uma camada composta por espaços cheios de fluido e sustentados por fibras de colagénio. Encontra-se por baixo da pele e cobre o tubo digestivo (por onde passam os alimentos ao longo do nosso sistema digestivo), os pulmões e o sistema urinário. Também reveste os músculos, veias e artérias, e pode ser uma boa ferramenta de diagnóstico.

A descoberta foi anunciada na revista Scientific Reports. Ocorreu graças a um novo endoscópio, explica o jornal Público. Os primeiros indícios do interstício foram encontrados em 2015, em imagens dos canais biliares, que transportam a bílis produzida no fígado. Com o novo endoscópio, pode-se analisar o tecido vivo como se se tivesse feito uma biópsia, explicou Neil Theise, que liderou o estudo, ao diário. Theise integra a equipa da Escola de Medicina Icahn do Hospital do Monte Sinai que descreveu a anatomia e histologia do interstício pela primeira vez: apesar de este espaço intersticial já ser conhecido, mas desvalorizado.

Foi necessário analisar canais biliares retirados de pacientes com cancro para compreender que indícios eram aqueles. Os tais espaços com fluido foram depois encontrados em mais tecido conjuntivo, o que une e protege os outros órgãos do nosso corpo.

O novo órgão ajuda a que as células circulem pelo corpo, como se de uma rede de estradas se tratasse: tanto as nocivas, por exemplo as tumorais, como as do sistema imunitário. No interstício foram ainda encontradas novas células que fabricam colagénio e também têm propriedades das células que revestem os vasos sanguíneos.

Uma amostra de fluido intersticial pode ser uma boa ferramenta de diagnóstico. Além disso, entender como funciona o interstício pode dar mais luzes sobre como se espalha o cancro pelo corpo, sobre o edema e a fibrose. Também concede mais informação sobre como funcionam os nossos órgãos.

Ao Público, Theise afirmou: "Normalmente, [considerar um órgão] implica que haja uma unidade e unicidade de uma estrutura e/ou uma função. Este espaço tem ambas: propriedades únicas, assim como estruturas e funções que não são observadas noutro sítio."

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