Trabalhos de avaliação da situação das casas atingidas "estão suspensos por falta de condições de segurança".
As 23 pessoas retiradas de casa na terça-feira, por precaução, devido a deslizamentos de terras em Ponte da Barca não têm previsão de quando poderão regressar às habitações, disse esta quarta-feira fonte dos bombeiros.
Contactado pela agência Lusa, o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, João Vieira, disse que os trabalhos de avaliação da situação das casas atingidas na terça-feira por deslizamentos de terras "estão suspensos por falta de condições de segurança".
"As equipas têm andado no terreno a fazer reconhecimentos, mas ainda há muita água nos terrenos e é impossível ir ao terreno. Continuam a ocorrer deslizamentos e, por esse facto, não há condições de segurança, nem para garantir que as pessoas possam regressar a casa", especificou.
Na terça-feira, 23 pessoas foram retiradas das suas casas na freguesia de Nogueira e na União de Freguesias Crasto, Ruivos e Grovelas devido a deslizamentos de terras.
João Vieira acrescentou que têm ocorrido outros deslizamentos de terras, mas em zonas que não são habitadas.
"Enquanto não parar a precipitação é sempre uma incerteza", afirmou.
O responsável adiantou que o rio Lima continua esta quarta-feira a inundar a zona do Choupal, no centro de Ponte da Barca, devido às descargas da barragem de Touvedo, "mas não atingiu os restaurantes e o comércio existentes nas proximidades".
Em Ponte de Lima, ruiu na manhã de esta quarta-feira um muro de uma habitação em Arcozelo.
O comandante dos Bombeiros Voluntários, Carlos Lima, disse que o acesso à casa só pode ser feito a pé, por está interrompido por pedras e lamas, sendo que dois caminhos da freguesia ficaram cortados.
Carlos Lima disse ter acionado os serviços municipais de proteção civil para desmontarem uma parte significativa do muro, porque "se não for retirado há risco de atingir outras habitações".
Segundo o comandante, o rio Lima permanece encostado ao paredão do areal, mas não inundou o Passeio 25 de Abril.
O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Olegário Gonçalves, disse não haver ocorrências relacionadas com a subida das águas do rio Vez.
Em Caminha, a presidente da Câmara, Liliana Silva, disse à Lusa que os trabalhos de estabilização do paredão da praia de Modelo, indicados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e iniciados na terça-feira, ficaram concluídos ao final do dia.
"Ainda falta estabilizar uma parte, colocando algumas das pedras que estão na praia debaixo de paredão, para o calçar mais um bocado, mas como o mar está muito alto, essa empreitada vai demorar alguns dias a estar concluída. No entanto, o perigo iminente de derrocada do paredão ficou estabilizado", referiu a autarca social-democrata.
A intervenção, "com caráter de urgência", foi assumida pela Câmara de Caminha.
Liliana Silva afirmou ainda que a ponte de Vilar de Mouros permanece encerrada ao trânsito devido à subida do rio Coura e assim irá permanecer "enquanto não houver condições de segurança".
Segundo a autarca, foi preciso realizar "uma intervenção de limpeza de urgência na ponte porque nunca se tinha visto tanto amontoado de paus, árvores e madeiras que estavam a forças os arcos da ponte românica".
"Se não tivéssemos feito essa intervenção tão rápido, provavelmente com estas novas cheias teria havido problemas gravíssimos", frisou.
Em Monção, o comandante dos Bombeiros Voluntários referiu que o nível das águas do rio Minho desceu e já não atinge o parque das Caldas. "O rio desceu até à zona das termas velhas", disse José Passos.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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