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Correio da Manhã

Sociedade
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Dezenas manifestam-se contra agrupamentos de escolas

Cerca de 100 pessoas manifestaram-se hoje em Gaia contra os agrupamentos previstos para o concelho, anunciados para o próximo ano, e criticaram a posição da Câmara Municipal (PSD/CDS), tendo sido recebidos por um vereador socialista.
26 de Maio de 2012 às 18:00

"Está a processar-se uma reorganização que, do nosso ponto de vista, coloca em causa o trabalho que é feito nessas escolas. Deixamos de ter uma gestão de proximidade", explicou à Lusa um dos promotores da marcha que decorreu pela Avenida da República abaixo até à Câmara Municipal, onde vieram a ser recebidos pelo vereador Eduardo Rodrigues.

O plano de reorganização das escolas do concelho foi apresentado há cerca de duas semanas na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e tem a implementação prevista para o próximo ano lectivo, prazo considerado muito curto, explicou aos jornalistas o presidente do Conselho Geral da Secundária de Oliveira do Douro, Avelino Azevedo, entidade onde a iniciativa da manifestação foi gerada.

"O vereador da Educação tinha enviado uma carta a todas as escolas a dizer que era contra qualquer agregação, posição que tinha sido assumida por todos os conselhos gerais de Vila Nova de Gaia. No dia em que nos foi comunicada a decisão das agregações fomos surpreendidos com o acordo da autarquia", disse Avelino Azevedo, que classificou o sentimento gerado como uma "revolta enorme".

O vereador da Educação de Gaia, Firmino Pereira, disse à Lusa que uma primeira proposta da DREN previa a fusão dos 24 estabelecimentos escolares hoje existentes num total de 11, tendo-se iniciado um processo negocial entre a autarquia e a DREN, do qual resultou a alteração da posição inicial, mas também a diminuição das instituições afectadas.

"A minha posição foi fundamentada neste clima de diálogo que existiu com o senhor director regional. A solução final é bastante positiva. Só temos quatro agregações de secundárias com escolas EB 2,3 e temos o resto do concelho sem agregação", afirmou o também vice-presidente da Câmara, que realçou o facto de ter havido diálogo com os directores das escolas, com quem a autarquia se reuniu.

Firmino Pereira sublinhou que os manifestantes partiram de uma posição de princípio "radical" e lamentou a politização da marcha, apoiada pelo Sindicato dos Professores do Norte, afeto à CGTP, acusação que os representantes da estrutura sindical, por seu lado, rejeitaram.

Quer João Paulo Silva, professor em Canidelo, quer Avelino Azevedo lamentaram que as questões financeiras subjacentes ao modelo instituído pelo Ministério da Educação em todo o país venham a aumentar o desemprego e as dificuldades de colocação dos professores.

Também presente na marcha até ao edifício da Câmara Municipal esteve a antiga deputada do PCP, Ilda Figueiredo, professora na Escola Secundária Almeida Garrett, para quem "o aumento do número de alunos e a centralização da gestão estão a dificultar uma escola de proximidade, uma escola atenta aos problemas das crianças".

Vila Nova de Gaia conta, neste momento, com uma escola já agregada em Canelas, oito secundárias e 15 agrupamentos.

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