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Correio da Manhã

Sociedade

DGS admite nova gestão da Linha

O director-geral da Saúde convocou, "com carácter de urgência", uma reunião da comissão de acompanhamento da Linha de Saúde 24 para amanhã. Francisco George vai juntar a uma mesma mesa os representantes da empresa gestora, da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e da Administração Central dos Sistemas de Saúde para "exigir explicações e impor uma resolução imediata do conflito laboral" que se vive no serviço de aconselhamento telefónico. E pondera, se necessário, "pedir a substituição da administração".
11 de Janeiro de 2009 às 00:30
Funcionários e ex-funcionários juntaram-se ontem em frente ao centro de atendimento de Lisboa. Empresa gestora fala em “acto de vandalismo”
Funcionários e ex-funcionários juntaram-se ontem em frente ao centro de atendimento de Lisboa. Empresa gestora fala em “acto de vandalismo” FOTO: Pedro Catarino

É a primeira vez que o director--geral da Saúde admite directamente que a qualidade está em causa e, por isso, decide intervir directamente. "Não podemos correr qualquer tipo de riscos nem aceitar que este conflito ponha em causa a qualidade do serviço público", afirma Francisco George. Apesar de a ministra Ana Jorge ter dado ordens para ser feita uma auditoria – que está a ser coordenada pelo enfermeiro Sérgio Gomes, da DGS – desde que a polémica rebentou, em Outubro, ainda não foram divulgados resultados desta avaliação.

Contudo, durante os últimos meses, o ambiente interno tem vindo a agravar-se. Esta semana, a empresa gestora – a LCS, do grupo Caixa Geral de Depósitos – começou a dispensar enfermeiros e oito (sete dos quais fundadores) já receberam cartas de despedimento. Os profissionais acusam a administração de "perseguição" e de "represálias" por terem denunciado "o caos organizativo". Cinco destes são testemunhas a favor da enfermeira suspensa, no seguimento das denúncias feitas à ministra.

Ontem, duas dezenas de actuais e antigos funcionários concentraram-se em frente ao serviço numa manifestação de protesto. O funcionamento do centro de Lisboa esteve suspenso entre as 08h00 e as 11h00. "Só vemos uma solução possível: a demissão desta administração", afirma Lúcio Silva, um dos enfermeiros que foi despedido.

LCS DIZ QUE VAI PROCESSAR OS MANIFESTANTES

A entidade gestora, LCS, emitiu ontem um comunicado anunciando a sua intenção de, nos próximos dias, "avançar com processos-crime" contra os que participaram na manifestação de ontem, à porta do centro de atendimento de Lisboa. Diz a empresa, que "já identificou" os manifestantes que participaram no protesto, que apelida de "acto de vandalismo". No comunicado, a LCS considera que a manifestação de funcionários e ex-funcionários foi uma iniciativa para "impedir o regular funcionamento do serviço de atendimento, através da destruição de meios de acesso às instalações". Os enfermeiros de Lisboa apenas voltaram ao trabalho depois de Francisco George se ter deslocado ao local e ter garantido que os vai receber amanhã.

RESTAM POUCOS ENFERMEIROS DA FUNDAÇÃO

Dos cerca de 40 funcionários que fundaram o Saúde 24, "apenas resta uma meia dúzia". Uns foram despedidos, outros "saíram pelo próprio pé, porque não aguentavam trabalhar nas condições impostas pela administração", afirma Lúcio Silva. O enfermeiro agora despedido defende que "a empresa se rege por critérios exclusivamente economicistas, que entram em conflito com a qualidade do serviço". O administrador Ramiro Martins justificou à Lusa os despedimentos por "má prestação" laboral. Mas ontem na manifestação Francisco George elogiou "o trabalho exemplar dos enfermeiros".

APONTAMENTOS

DENÚNCIA

Em Outubro, oito supervisores escreveram a Ana Jorge denunciando o "caos organizativo". A ministra pediu auditoria sobre as falhas.

SUSPENSÃO

Ana Rita Cavaco, a primeira subscritora, foi suspensa pela administração por ser "inconveniente a sua presença na empresa".

CONTRATO

A Saúde 24 é um serviço público gerido por uma empresa privada, através de um contrato de concessão.

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