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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Dias de calor húmido perigoso mais que duplicaram desde 1970

Organização Climate Central estima que o calor extremo provocou mais de 250 mil mortes a nível global desde 2000, tornando-se um dos perigos climáticos mais mortíferos.

24 de junho de 2026 às 11:31

Os dias de calor húmido perigoso mais do que duplicaram no mundo devido às alterações climáticas, aumentando riscos para a saúde de milhões de pessoas, revela uma análise divulgada esta quarta-feira.

Segundo um relatório da organização Climate Central, desde a década de 1970 os dias de calor húmido perigoso passaram de uma média de 10 dias por ano para 23 dias por ano.

O calor húmido perigoso acontece quando a combinação entre temperatura e humidade altas impede que o suor evapore da pele, levando a um sobreaquecimento e desidratação rápidos.

Segundo a Climate Central, que analisa e divulga informações sobre ciência climática, as alterações climáticas provocadas pela atividade humana são agora o principal fator do calor húmido perigoso, contribuindo para quase dois terços de todos os dias de calor húmido perigoso.

A organização estima que o calor extremo provocou mais de 250.000 mortes a nível global desde 2000, tornando-se um dos perigos climáticos mais mortíferos.

A investigação indica que as zonas do mundo mais afetadas são a que ficam numa faixa sobre e acima do equador. Não há previsões no documento de que se cheguem a valores perigosos em Portugal, mas os autores do relatório avisam que o calor e a humidade podem ainda assim afetar a saúde, especialmente de populações vulneráveis.

Segundo o documento, a humidade agrava os riscos e os dias aparentemente amenos podem ser "muito mais perigosos do que aparentam".

A Climate Central alerta que as alterações climáticas estão a provocar mais dias de calor húmido perigoso em 69% (665) das 961 cidades globais analisadas.

O relatório explica também que quando a humidade elevada reduz a capacidade de o organismo arrefecer pela transpiração faz "com que o calor se acumule internamente, aumentando o risco de desidratação, de problemas cardiovasculares e respiratórios, exaustão pelo calor, insolação, e outros impactos graves na saúde".

A análise da Climate Central baseou-se na chamada "temperatura de bolbo húmido", uma medida que combina o calor e a humidade para avaliar o stresse fisiológico do corpo humano.

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