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Dificuldade em mexer os dedos devido a infeção junto à unha

Na origem da inflamação da pele à volta da unha está um traumatismo ou lesão que permite a entrada de fungos e bactérias.

28 de outubro de 2018 às 10:02

A inflamação aguda ou crónica da pele à volta da unha pode provocar dor, vermelhidão, inchaço, dificuldade em mexer o dedo envolvido e, em casos mais avançados, também pus. Estas são características do panarício, uma doença que pode afetar tanto as mãos como os pés.

"Qualquer pessoa pode desenvolver panarício, que começa, geralmente, por um traumatismo ou lesão à volta da unha, que permite a entrada de fungos ou bactérias que depois causam uma infeção", explica a dermatologista Marisa André.

Para tratar este problema, deve ser feita a limpeza e a desinfeção da pele. Em alguns casos, dependendo da causa do panarício, o tratamento passa ainda pela aplicação de cremes e também pela toma de comprimidos, como é o caso de antibióticos, antifúngicos e antivirais. Caso haja um abcesso, é preciso fazer uma incisão e drenar o mesmo através de cirurgia.

"A aplicação de compressas quentes pode ser útil no alívio dos sintomas e também na drenagem espontânea de pus", afirma a médica do Hospital CUF Descobertas, em Lisboa.

O panarício pode durar entre três a dez dias. Durante o tratamento da doença, aconselha-se que as mãos não fiquem molhadas por muito tempo e, no caso dos pés, o ideal será não usar sapatos que sejam fechados.

O tratamento mais adequado é indicado pelo dermatologista, depois de o panarício ter sido detetado e termina quando houver regeneração da pele.

O diagnóstico é clínico e pode implicar um teste laboratorial, com colheita de material, seja pus ou raspado de unha, para identificar a origem da infeção.

Evite usar detergentes que sejam irritantes para a pele

Para evitar o aparecimento do panarício, que se traduz na inflamação da pele à volta da unha, há certos comportamentos que, segundo os especialistas, deve adotar.

O contacto prolongado e repetido com a água deve ser evitado. É ainda aconselhado que opte por reduzir a utilização de substâncias irritantes e agressivas para a pele, como é o caso de alguns desinfetantes e detergentes. Neste ponto, destacam-se, sobretudo, profissões como empregados de limpeza, cabeleireiros e também técnicos de saúde.

No que à manicure diz respeito, para prevenir a doença, as unhas têm de estar limpas, não podem ser cortadas muito rentes e as cutículas têm de ser mantidas, evitando arrancar as mesmas com os dentes ou com alicates. É importante que se desinfete sempre o material utilizado para fazer a manicure, sobretudo se a realizar fora de casa, como em salões de estética.

A médica dermatologista Marisa André explica ainda que "deve evitar a aplicação de unhas de gel ou de acrílico durante períodos muito prolongados".

Conselho da semana

Para evitar que as crianças roam as unhas, arranje uma distração que ocupe as mãos quando isso acontece, como um desenho ou um puzzle. Proteja as unhas com pensos coloridos e mantenha-as curtas.

"Pode vir a ser um problema crónico"

Marisa André Dermatologista, H. CUF Descobertas

CM - Depois de o panarício ser tratado, é possível que volte a aparecer?

Marisa André – Se os fatores desencadeantes do panarício se mantiverem, pode ser recorrente. As unhas devem manter-se curtas, limpas e secas. A cutícula deve ser preservada e a pele tem de estar hidratada. Se se tratar de uma pessoa que usa luvas durante grande parte do dia, aconselha-se umas brancas de algodão em contacto direto com a pele, por baixo das outras luvas habituais.

– Se não for tratado, pode ser um problema crónico?

– Sim, se os fatores que levaram à ocorrência do panarício não forem tratados, pode tornar-se crónico.

– Qual a prevalência?

– Nos EUA é a infeção da mão mais frequente e pode atingir 35% da população, sobretudo mulheres. Não conheço dados sobre a doença em Portugal.

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