Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
7

Dívida do Estado aos hospitais privados leva médicos a recusar cirurgias

Associação de Hospitalização Privada diz que valor em falta é de 56 milhões de euros.
Bernardo Esteves 30 de Julho de 2020 às 09:38
Médicos
Médicos FOTO: Direitos Reservados
A dívida do Estado aos hospitais privados por cirurgias realizadas já atinge os 56 milhões de euros, atraso que, segundo a Ordem, está a levar os médicos a recusar operar.

O valor em dívida foi revelado por um inquérito da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) aos seus associados. “Só responderam 11 dos 60 associados, por isso o valor real em dívida é ainda superior, embora os grandes grupos já tenham respondido”, disse ao CM Óscar Gaspar, acrescentando: “Nunca tivemos um valor em dívida tão elevado e não percebemos como é que estão a pagar outras dívidas e se mantém esta por liquidar.”

Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, diz que “há muitos hospitais que só pagam aos médicos depois de receber do Estado” e por isso os profissionais podem recusar operar. “Se os médicos tiverem vários meses de atraso acabam por não fazer novas cirurgias enquanto não lhes pagarem as antigas”, disse ao CM, frisando que também enfermeiros e auxiliares podem recusar integrar as equipas para estas cirurgias enquanto não receberem. O dirigente avisa que assim será mais difícil recuperar do atraso nas cirurgias motivado pela pandemia.

“No passado, já tivemos situações em que os médicos, que não são do quadro e são contratados por ato realizado, se não recebem de umas empresas vão trabalhar para outras, até porque se trata de um trabalho adicional que implica muitas responsabilidades”, afirmou ao CM Alexandre Valentim Lourenço.

Por faturar
A Associação de Hospitalização Privada diz que muitas cirurgias, algumas realizadas em 2018, não foram ainda sequer faturadas pelo Estado, devido a problemas na gestão administrativa.

Outras recusas
No passado já houve casos de unidades privadas, como o Hospital de St. Louis e o Hospital da Ordem Terceira, em que os médicos recusaram operar por causa das dívidas do Estado.

29,9 milhões

O Ministério da Saúde revelou que a dívida aos hospitais privados em maio era de 29,9 milhões de euros e que os números da APHP “parecem incluir” montantes que ainda não foram validados.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)