Vírus detetado em pombos-da-rocha e rolas-turcas na Graciosa, Terceira, Pico, São Miguel, Santa Maria e Faial.
A doença de Newcastle foi identificada em aves selvagens mortas nas ilhas Graciosa, Terceira, Pico, São Miguel, Santa Maria e Faial, afetando particularmente pombos e rolas, revelou esta quarta-feira o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM).
Em resposta a um requerimento do BE, o executivo açoriano adiantou que os "primeiros relatos" sobre a morte de pombos aconteceram em junho na Graciosa, tendo sido "implementadas medidas de vigilância e acompanhamento".
De acordo com a resposta do Governo Regional, datada de segunda-feira, foi registada "mortalidade de aves selvagens nas ilhas Graciosa, Terceira, Pico, São Miguel, Santa Maria e Faial" devido àquela doença.
"Até à data de referência, todos os resultados concluídos relativos a amostras de pombos-da-rocha e rolas-turcas remetidas para pesquisa específica foram positivos para o vírus da doença de Newcastle. (...) Em sentido distinto, todos os resultados concluídos em aves de capoeira foram negativos para a doença de Newcastle", detalha o Governo açoriano no documento publicado terça-feira pela Assembleia Regional e consultado esta quarta-feira pela agência Lusa.
O executivo açoriano recorda que o risco da doença de Newcastle para a "população em geral é considerado baixo", já que a "infeção humana é rara e habitualmente ligeira, estando sobretudo associada a contacto direto e próximo com aves infetadas".
"O Governo Regional mantém o compromisso de atuar com transparência, rigor e lealdade institucional perante a população e as entidades direta ou indiretamente envolvidas. Os resultados laboratoriais validados têm sido comunicados à medida que são conhecidos", destacou.
Em reação à resposta do executivo regional, o BE/Açores considerou que persistem "muitas dúvidas" sobre o "aparecimento anormal de aves mortas" e submeteu um novo requerimento com questões ao Governo dos Açores.
"O Bloco quer também mais esclarecimentos sobre a atuação das autoridades no caso em que uma pessoa teve sintomas compatíveis com a Doença de Newcastle depois de ter estado em contacto com aves encontradas mortas", lê-se num comunicado enviado pelo partido.
Os bloquistas consideram "fundamental perceber se os vírus identificados em diferentes ilhas foram geneticamente comparados e se os resultados disponíveis permitem estabelecer relações epidemiológicas entre as ocorrências".
"Perante relatos públicos de mortalidade de outras espécies e referências à eventual utilização de substâncias tóxicas, o Bloco quer saber se foi estudada a hipótese de morte por envenenamento", defende o BE.
Os Açores proibiram a 13 de agosto a caça ao pombo e a realização de feiras com aves após ter sido detetada a doença de Newcastle, que apresenta "baixo risco" para os humanos, mas exige "cuidados", segundo o Governo Regional.
Segundo a publicação em Jornal Oficial, a proibição ao exercício da caça ao pombo-das-rochas, também conhecido por pombo comum, entra em vigor na sexta-feira e por tempo indeterminado em todas as ilhas da região.
"É uma doença que é muito viral para as aves e muito contagiosa entre aves. Tem efeitos no rendimento dos produtores das aves domésticas. Apresenta um baixo risco para a população, mas tem risco", alertou à Lusa o secretário regional, António Ventura.
A doença de Newcastle (DN), também conhecida por pseudopeste aviária, é bastante viral entre as aves e afeta todas as espécies avícolas, com "especial incidência para a galinha e o peru", segundo a página da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária.
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