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Correio da Manhã

Sociedade
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Doentes arriscam perder transporte

A Liga de Bombeiros Portugueses (LBP) admite recorrer à greve e denunciar o contrato com o Ministério da Saúde para transporte de doentes não urgentes. Em causa está um despacho em vigor desde 1 de Janeiro que impõe justificação médica e prova de pobreza para ter direito a transporte de ambulância.
17 de Janeiro de 2011 às 00:30
Número de ambulâncias pode ter de ser reduzido, o que levaria a despedimento de pessoal, alertam bombeiros
Número de ambulâncias pode ter de ser reduzido, o que levaria a despedimento de pessoal, alertam bombeiros FOTO: direitos reservados

Duarte Caldeira, presidente da LBP, critica o facto de o despacho não precisar como deve ser feita a prova de pobreza, gerando situações díspares. E garante que os bombeiros estão a transportar doentes sem ter garantias de que serão pagos. O responsável revelou que hoje irá fazer "um novo contacto" com o secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar. "Se a opção do Governo for manter o despacho, passamos à fase de envolver as populações nesta luta".

Já está marcado um congresso extraordinário da LBP para 26 de Fevereiro. "Denunciar o contrato com o Ministério da Saúde estará em equação. Temos evitado greves mas temos direito a expressar a nossa indignação pelas formas mais adequadas". Também a Federação dos Bombeiros de Lisboa admitiu denunciar o contrato com a tutela e alertou para o risco de despedimento de efectivos, pondo em causa a qualidade do socorro e o apoio a emergências como fogos florestais.

PERDEU O DIREITO À AMBULÂNCIA

Hermenegilda Claro, de 50 anos, sofre de esclerose múltipla, o que a obriga a ir todos os meses do Rebocho (Coruche), onde reside, a Lisboa, para tratamentos. Agora perdeu o direito ao transporte. "Já perdi algumas consultas de neurologia. Só em táxi são 80 euros", diz.

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