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Correio da Manhã

Sociedade
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Doentes com diabetes perdem em média oito anos de vida

Mais de um quarto das pessoas entre os 60 e 79 anos tem a doença.
Francisca Genésio 6 de Maio de 2018 às 08:12
Diabetes
Jácome de Castro
Doces
Comida
Fruta
Excesso de peso
Diabetes
Jácome de Castro
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Comida
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Excesso de peso
Diabetes
Jácome de Castro
Doces
Comida
Fruta
Excesso de peso
Os doentes com diabetes perdem, em média, oito anos de vida, segundo dados revelados pela Direção-Geral da Saúde.

"O diagnóstico precoce, o acesso a cuidados e tratamentos adequados, uma alimentação saudável e a prática de exercício físico regular podem, no entanto, reduzir o risco de complicações e melhorar substancialmente a qualidade de vida dos diabéticos", explica ao Correio da Manhã o médico endocrinologista Jácome de Castro.

De acordo com os últimos dados do estudo 'Diabetes - Factos e Números' de 2016, mais de um milhão de portugueses, com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos são diabéticos e um quarto das pessoas entre os 60 e os 79 anos tem a doença.

"Os dados revelam um aumento da prevalência da diabetes com a idade", esclarece o clínico. A diabetes, doença caracterizada pelo "excesso de açúcar em circulação no sangue", divide-se em dois tipos: a 1 e a 2. "Na diabetes tipo 1 o excesso de açúcar no sangue surge por uma incapacidade do organismo produzir insulina e corresponde a cerca de 5% dos casos, habitualmente em idades mais jovens. Já a tipo 2, responsável por 90 a 95% dos casos, é geralmente desencadeada pelo excesso de peso/obesidade", explica Jácome de Castro.

Associada à diabetes podem surgir complicações microvasculares (lesões nos pequenos vasos sanguíneos, como a retinopatia) e macrovasculares (lesões dos vasos de maior calibre, como a doença coronária). O tratamento varia consoante o tipo da doença: no tipo 1 o tratamento é baseado na insulinoterapia, que pode também ser associada a medicamentos. Já no tipo 2, o "tratamento é individualizado" e deve ter em consideração diversos fatores.

Discurso direto
Jácome de Castro
Endocrinologista no Hospital das Forças Armadas
"Excesso de peso é um fator de risco"

Quais são os fatores de risco para a diabetes?
Jácome de Castro - O excesso de peso/obesidade, é um fator de risco. Destaca-se ainda o sedentarismo, a história familiar de diabetes, idade superior a 45 anos e a diabetes gestacional.

Quais são os sintomas da doença?
Jácome de Castro - Os sintomas estão essencialmente relacionados com os níveis elevados da glicemia. Destacam-se visão turva, aumento da diurese (muita vontade em urinar), aumento da sede, boca seca, fadiga, perda de peso e infeções génito-urinárias.

Como é diagnosticada?
Jácome de Castro- O diagnóstico pode ser realizado através dos sintomas e confirmado com análises de sangue. Quando não existem sintomas, recorremos ao diagnóstico laboratorial.

O meu caso
"Tornei-me dependente da insulina"
Foi através de um simples exame, realizado há 10 anos numa consulta de medicina do trabalho, que Nuno Pinto Bastos, de 55 anos, descobriu que era diabético.

"Na altura fui a um médico e ele receitou-me uns comprimidos como tratamento", conta o consultor imobiliário. A terapêutica através de remédios resultou durante quatro anos. "Cheguei a uma altura em que já não chegava e tornei-me dependente da insulina", explica Nuno Bastos.

O consultor imobiliário teve de alterar os hábitos de vida que tinha, cortando nos doces e também nas quantidades de comida. Começou a praticar mais exercício físico.

Açúcar amarelo e refinado sem grandes diferenças
Os diabéticos têm de ter cuidados rigorosos com a alimentação. Alguns deles recaem no consumo de frutas, mais concretamente com as doses, "assim como a melhor altura do dia para os consumir, bem como a associação com outros alimentos", aconselha o endrocrinologista Jácome de Castro.

O médico sublinha, no entanto, que "as regras alimentares devem ser adaptadas aos regimes terapêuticos e ao estilo de vida do doente, procurando, sempre que possível, respeitar as preferências de cada um". De acordo com o especialista, também o álcool deve ser consumido de forma moderada pelos diabéticos "e sempre durante as refeições". Popularmente, diz-se que o açúcar amarelo é mais saudável do que o refinado.

Jácome de Castro explica que "o açúcar amarelo, não passando por um processo de refinamento, conserva alguns elementos como cálcio, ferro e sais minerais. No entanto, do ponto de vista calórico e índice glicémico, não apresenta alterações significativas comparativamente ao açúcar refinado".

Mais casos de diabetes em crianças
A obesidade e a falta de atividade física são dois dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes tipo 2.  "Se há 10 anos este tipo de doença aparecia em fases mais avançadas da vida, atualmente existem cada vez mais casos de crianças e jovens com diabetes tipo 2", explica o médico Jácome de Castro. A família deve estar atenta aos sintomas.
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