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Correio da Manhã

Sociedade
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Doentes em risco de contaminação

Hospitais e centros fazem insuficiente gestão dos resíduos.
21 de Junho de 2011 às 00:30
Os hospitais e centros de saúde públicos superam os privados no que diz respeito à falta de cuidado no manuseamento dos resíduos hospitalares
Os hospitais e centros de saúde públicos superam os privados no que diz respeito à falta de cuidado no manuseamento dos resíduos hospitalares FOTO: João Miguel Rodrigues

Portugal tem um deficiente sistema de gestão de resíduos hospitalares, com riscos elevados para os utentes e profissionais, nomeadamente nos hospitais e centros de saúde públicos. A conclusão é de um estudo da Universidade do Minho, divulgado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), sobre a prevenção, produção, recolha e tratamento de resíduos hospitalares em Portugal Continental.

Segundo o estudo, as unidades de saúde públicas tendem a efectuar o transporte de resíduos hospitalares "durante as horas de presença do público e utilizando espaços comuns (corredores e escadas) aos usados pelos utentes".

Acresce ainda a este facto uma outra prática, considerada no documento da ERS como "demasiado frequente": hospitais públicos e Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) que prestam cuidados domiciliários "deixam os resíduos no local de residência do paciente, com os óbvios riscos que tal acarreta para o paciente e com quem partilha casa, como também os riscos ambientais acrescidos que tal facto representa". Num âmbito mais geral, a maior parte das instituições de saúde, privadas e públicas, não procede ao envio dos resíduos hospitalares para as unidades de tratamento dentro do prazo recomendado por lei. Também em todas as unidades foi considerado insuficiente o desempenho em relação aos riscos para os profissionais que lidam com resíduos, sendo indicada a necessidade de intervenções urgentes e acentuadas ao nível de equipamentos de protecção individual . "Apenas o uso de luvas próprias tende a ser generalizado", sublinha ainda o estudo.

No que se refere aos quantitativos produzidos, a produção de resíduos hospitalares por parte dos hospitais privados revela-se comprometedora do objectivo de redução de produção definido no Plano Estratégico dos Resíduos Hospitalares 2010/2016.

RECOMENDADAS AUDITORIAS EXTERNAS

No estudo divulgado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS) é recomendada a implementação de auditorias externas, realizadas por entidades competentes, como as Administrações Regionais de Saúde (ARS), no sentido de aferir o desempenho das instituições em todas as vertentes de gestão de resíduos hospitalares. Outra sugestão tem como objectivo uniformizar os procedimentos e acções de inspecção e fiscalização conduzidas pelas diversas entidades da Administração Pública que monitorizam e controlam as unidades prestadores de cuidados de saúde em matéria de gestão de

resíduos hospitalares. Aos hospitais e centros de saúde é recomendado um maior investimento nas condições de armazenamento dos resíduos e fornecimento de equipamentos de segurança aos profissionais que manipulam os resíduos.

PRIVADOS AUMENTAM LIXO CONTAMINADO

A produção de resíduos hospitalares do grupo III, que são de risco biológico e que estão contaminados ou suspeitos de contaminação, aumentou de tal forma que, segundo o estudo revelado pela ERS, o objectivo de redução destes lixos – definido pelo Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares (PERH 2010- 2016)– está comprometido. A culpa é dos hospitais privados, que passaram de 1,37 kg de resíduos por cama e por dia, em 2006, para 3 kg em 2010. Por ano, os hospitais produzem em média 56 577 kg de resíduos do grupo III e 45 894 kg de lixos do grupo I e II, considerados perigosos.

 

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