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Correio da Manhã

Sociedade
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Doentes não protegem o estômago

Dois milhões de portugueses sofrem de alguma das 150 doenças reumáticas e três milhões têm sintomas. Os tratamentos, temporários ou permanentes, são feitos com anti-inflamatórios não-esteróides (AINE), eficazes e melhoram a qualidade de vida do doente mas causam graves efeitos secundários a dois ou três por cento dos pacientes. Muitos morrem devido a hemorragias e perfuração gastrointestinal, porque a maioria (60 por cento) não faz protecção gastrointestinal.
17 de Janeiro de 2009 às 20:41
Gastroenterologista Nobre Leitão
Gastroenterologista Nobre Leitão FOTO: Sérgio Lemos

Para evitar os elevados custos económicos e sociais dos efeitos secundários dos AINE, foi hoje divulgado ao final da tarde a cerca de quatro centenas de médicos de clínica geral e familiar, reunidos, em Lisboa, os benefícios da protecção gastrointestinal proporcionada pela classe de medicamentos inibidores de bomba de protões, terapêutica normalmente prescrita para o tratamento de úlceras do estômago e do duodeno e da doença do refluxo.

 

Os inibidores de bomba de protões existem no mercado nacional desde há cerca uma dezena de anos e reduzem a acção gástrica provocada pelos anti-inflamatórios não-esteróides.

 

O gastrenterologista Nobre Leitão, director de Serviço de Gastrenterologia do Instituto Português de Oncologia, sublinha ao CM para a importância dos doentes, especialmente a partir dos 60 anos, fazerem protecção gastrointestinal com os inibidores de bomba de protões. “Podem se evitar muitos internamentos hospitalares, muitas mortes e poupar muitos milhões de euros, precisamente prevenindo a ocorrência dos efeitos secundários causados pelos AINE.”

 

Em Portugal não há dados sobre o número de mortes causadas pelos efeitos secundários dos AINE, mas no Reino Unido é responsável pela morte de oito mil doentes todos os anos.

 

Segundo Nobre Leitão, é necessário sensibilizar os médicos de clínica geral para a importância da prevenção dos efeitos secundários, dado que por regra “os médicos não receberam formação para a prevenção, mas formação curativa”.

 

No encontro, o reumatologista Augusto Faustino afirmou que as doenças reumáticas são responsáveis por um quarto de todas as consultas de medicina geral e familiar, causam a morte a dois mil portugueses por ano, são causa de invalidez de 50 mil portugueses e incapacidade a 700 mil indivíduos em Portugal. Um terço da população portuguesa tem sintomas de alguma das doenças reumáticas.

 

O especialista alertou ainda para a necessidade, perante este universo de doentes, tratar o mais precocemente o paciente, porque “a doença na fase inicial é reversível e evita-se o agravamento do processo inflamatório”.

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