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Correio da Manhã

Sociedade

Doentes percorrem longas distâncias à procura de um reumatologista

Mais de três milhões de portugueses sofrem de doenças reumáticas e a falta de especialistas nalguns hospitais obriga os pacientes a percorrerem longas distâncias para serem tratados.
5 de Janeiro de 2012 às 09:31
O Hospital de Beja é um dos que não tem reumatologista
O Hospital de Beja é um dos que não tem reumatologista FOTO: CM

O alerta é dado pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), Luís Maurício, em declarações à Lusa. "A cobertura de reumatologistas é muito insuficiente", explica o médico, lembrando que há zonas do país com apenas um especialista para toda a população e outras "onde nem um existe".  

Baseando-se nos dados da Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS), Luís Maurício recordou que os hospitais de Faro e Évora têm "apenas um reumatologista". O mesmo se passa com os doentes de Braga, Tomar, Guarda e Vila da Feira, que partilham um único especialista e muitos problemas.   

Uma das pacientes da médica do Hospital de Vila da Feira, Fernanda Sousa, explicou à Lusa as dificuldades de existir apenas um profissional: "No Hospital de São Sebastião as consultas de reumatologia tinham uma lista de espera de seis ou sete meses para os doentes que já estavam a ser acompanhados". 

A doente nortenha, de 46 anos, optou por "gastar o dobro do tempo e do dinheiro em viagens" para passar a ser vista no hospital de Vila Nova de Gaia.   

Mas é no sul do país que se registam as situações mais complicadas. "Todo o Algarve tem apenas um reumatologista e os distritos de Beja e Portalegre não têm ninguém, o que obriga os doentes a muitos quilómetros só para ir à consulta", alertou António Vilar, secretário-geral da Associação Nacional de Doentes com Doenças Reumáticas (ANDAR).  

 

Apesar da carência de especialistas nalguns hospitais, o presidente da SPR receia que em breve passem a existir jovens reumatologistas sem hospitais onde trabalhar, resultado do congelamento das contratações na função pública. 

 

"É preciso que os recursos humanos formados nos hospitais com recursos financeiros do estado sejam utilizados para poder dar uma cobertura nacional adequada em termos de cuidados de reumatologia", defendeu Luís Maurício. 

 

Para António Vilar, quem decidiu congelar as contratações não pode ignorar as carências hospitalares e as necessidades da população.  

 

 

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