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Correio da Manhã

Sociedade
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Dois mil professores por colocar

Demora na contratação direta pelas escolas deixa milhares de alunos sem aulas e pais desesperados. Crato diz que está "praticamente" tudo resolvido
28 de Setembro de 2013 às 01:00
Na Escola Bàsica do ALto do Lumiar, pais protestaram porque ainda há 20 turmas sem professores
Na Escola Bàsica do ALto do Lumiar, pais protestaram porque ainda há 20 turmas sem professores FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

Duas semanas depois do arranque do ano letivo, estarão ainda por colocar mais de dois mil professores, afetando dezenas de milhares de alunos. "O processo de seleção é muito demorado. Dos mais de 5 mil horários postos a concurso em contratação de escola na plataforma eletrónica do Ministério da Educação e Ciência [MEC], cerca de metade não foram preenchidos", estima Arlindo Ferreira, professor e autor do blogue DeArLindo, especializado nos concursos de docentes. Já o ministro Nuno Crato afirmou não dispor de dados sobre o número de alunos sem aulas, mas garantiu que "praticamente todas essas questões estão resolvidas".

Na EB 2,3 do Alto do Lumiar, em Lisboa, pais e alunos protestaram ontem contra a falta de professores em 20 turmas. E prometem encerrar a escola se na quarta-feira os docentes não estiverem colocados.

No Agrupamento de Benfica, há quatro turmas do 1º Ciclo ainda sem aulas. "Chamei 30 professores para entrevistas mas só preciso de quatro. É a terceira ‘leva’ de entrevistas que faço", disse à Lusa o diretor, Manuel Esperança, frisando que muitos não aparecem porque concorreram a outras escolas e optam pela melhor oferta. Há casos em que o mesmo professor é selecionado para quatro escolas. Acaba por escolher uma, e as outras três têm de reiniciar o processo de seleção.

Enquanto isso, milhares de docentes esperam pela sua chance, colados aos computadores. "O problema é que este ano houve um alargamento das escolas e agrupamentos que podem fazer contratação direta, são já 20% do total. Os concursos tornaram-se um pesadelo para professores e escolas", diz Arlindo Ferreira.

A Fenprof pede o fim destas contratações e responsabiliza o MEC. "Atrasou duas semanas o anúncio da lista de contratação inicial e só depois do dia 12 autorizou a contratação de escola, e isto condicionou tudo", disse Mário Nogueira.

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