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Correio da Manhã

Sociedade
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Dor crónica custa sete submarinos

A dor crónica afecta 30 por cento da população portuguesa e custa ao Serviço Nacional de Saúde e aos doentes 3 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 1,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
24 de Março de 2011 às 00:30
Castro Lopes, da Universidade do Porto, coordenou o estudo
Castro Lopes, da Universidade do Porto, coordenou o estudo FOTO: Vítor Mota

Estes foram os resultados de um estudo do grupo de investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ontem apresentados num work-shop em Lisboa. "Dava para comprar sete submarinos", exemplificou Castro Lopes, coordenador do estudo, sublinhando: "Gastamos muito mas não de forma adequada, porque um terço dos doentes não está satisfeito com o tratamento".

O médico defendeu que se trata de uma "epidemia silenciosa", designação rejeitada pelo Director--Geral da Saúde, Francisco George: "Uma epidemia é algo inesperado ou acima do esperado."

O estudo concluiu que 2,5 milhões de portugueses sofrem de dor crónica, problema que afecta mais as mulheres em idades avançadas, e cujas causas principais são a lombalgia, a osteoartrose e outras patologias musculoesqueléticas. A maioria sente dor há muito tempo, sendo a mediana de 10 anos.

O impacto da dor crónica na vida dos doentes é brutal. Interfere de "forma grave" com a profissão em 56 por cento dos casos, sendo responsável por 35 por cento das reformas antecipadas, que custam ao País 980 milhões de euros por ano. Já o absentismo no trabalho custa 610 milhões de euros.

Segundo dados de outro estudo, apresentado por José António Pereira da Silva, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Portugal praticamente não usa opióides fortes, ao contrário dos restantes países da União Europeia. Francisco George defendeu que Portugal é que "faz bem" porque o uso desses opióides "implica riscos de habituação" e outros.

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