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Correio da Manhã

Sociedade
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Dor de garganta acaba em morte

Um dia depois de ter sido consultado no Centro de Saúde de Benavente, e de ser enviado para casa com medicação, um jovem de 18 anos, que se queixava de uma inflamação na garganta, deu entrada no Hospital de Santarém com uma infecção geral e em estado muito grave. Os médicos ainda o operaram de urgência, mas já não o conseguiram salvar. Júlio Ramalho morreu ontem de manhã. Os familiares suspeitam de negligência médica.

14 de Dezembro de 2011 às 01:00
Paula Moreira não se conforma com a forma como morreu o irmão, Júlio Ramalho (foto pequena). O jovem, de 18 anos, frequentava o 12.º ano na Escola de Salvaterra de Magos
Paula Moreira não se conforma com a forma como morreu o irmão, Júlio Ramalho (foto pequena). O jovem, de 18 anos, frequentava o 12.º ano na Escola de Salvaterra de Magos FOTO: Rui Miguel Pedrosa

"Sentimos uma dúvida e uma injustiça muito grande. Se era só uma inflamação na garganta, como morre assim de repente com uma septicemia?", interroga-se Paula Moreira, irmã da vítima. Júlio Ramalho vivia com a mãe e um irmão, em Marinhais, e frequentava o 12º ano na Escola Básica e Secundária de Salvaterra de Magos. Na manhã de sexta-feira (dia 9), decidiu ir ao Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde de Benavente, por sentir a garganta inflamada. "Foi atendido e enviado para casa com medicação", explicou Luísa Portugal, directora do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria.

No dia seguinte, a mãe foi dar com ele na cama, "com a boca a ficar roxa e sem forças para se levantar". Dado o alerta para os bombeiros, o jovem teve de ser transportado ao colo para a ambulância e sujeito a manobras de reanimação.

Quando deu entrada no Hospital de Santarém, o seu estado era já muito grave. Foi submetido a intervenção cirúrgica urgente, colocado em coma induzido e internado nos Cuidados Intensivos. Apesar dos esforços, acabou por morrer ontem, às 09h30. Fonte do hospital disse ao CM que a morte se deveu à falência de órgãos vitais, provocada por uma doença infecciosa, que não põe em causa a saúde pública.

Apesar das dúvidas, a família do jovem decidiu não solicitar a realização de autópsia. O funeral de Júlio realiza-se hoje, às 14h00, na Igreja de Marinhais.

ESTUDANTES DESCONFIAM DA MEDICAÇÃO

A morte de Júlio César Ramalho deixou a população de Marinhais e a comunidade escolar de Salvaterra de Magos em choque. O jovem terá dito a alguns colegas da escola que "tinha levado uma injecção" no Centro de Saúde (CS) de Benavente, o que os levou a suspeitar de que a sua morte possa ter sido provocada por uma alergia a esse medicamento. Mas os responsáveis do centro de saúde asseguram que apenas foi prescrita medicação para o jovem tomar em casa.

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