Ana Paula Vitorino classificou o aprofundamento do canal como "imprescindível" para o "sucesso da indústria naval".
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A ministra do Mar estimou esta quarta-feira que o "impacto direto" do aprofundamento do canal de acesso aos estaleiros navais de Viana do Castelo no Valor Acrescentado Bruto (VAB) será superior a 90 milhões de euros.
Ana Paula Vitorino, que falava nos estaleiros subconcessionados à empresa WestSea, do grupo Martifer, durante o lançamento do concurso para o aprofundamento do anteporto e do canal de acesso aos estaleiros navais e ao cais do Bugio, estimou ainda em 400 o número de postos de trabalho que serão criados "durante os 15 anos de vida útil da intervenção".
Além do "impacto direto na indústria de construção naval", a ministra do Mar adiantou que aquela obra, num investimento público de 18,5 milhões de euros e privado de 11 milhões de euros, "melhorará a operacionalidade do porto comercial" onde se sentirá "um efeito muito superior".
Ana Paula Vitorino classificou o aprofundamento do canal como "imprescindível" para o "sucesso da indústria naval" por permitir a entrada e saída de navios "muito maiores".
"Além de serem reparados e produzidos navios muito maiores do que são feitos hoje, alargará o mercado e permitirá, acima de tudo, aumentar as nossas exportações", disse, referindo que, em 2018, o volume de negócios da indústria naval portuguesa cresceu cerca de 14%.
"É bastante, mas ainda fica aquém das metas do Governo até 2026, altura em que se estima aumentar em mais de 50% o volume de negócios desta indústria", especificou Ana Paula Vitorino.
Segundo a governante, a doca atual vai ser transformada em doca seca, permitindo receber navios com 200 metros de cumprimento, maior boca (largura) e calado (profundidade).
O presidente da WestSea, Carlos Martins, referiu que atualmente a empresa está "limitada a navios com 180 metros de cumprimento, 28 metros de boca e 5,3 metros de calado".
"Esta obra vai dotar a empresa de capacidade para responder às novas tendências do mercado, com navios cada vez mais largos", disse, adiantando que a intervenção será não só "fundamental" para a WestSea como para "toda a região porque vai permitir a criação de mais postos de trabalho".
Já no porto de mar da capital do Alto Minho, onde assinou a consignação da empreitada de construção dos acessos rodoviários ao porto de mar por 7,3 milhões de euros, Ana Paula Vitorino destacou a "importância" daquela infraestrutura "no setor portuário nacional e no conceito ao transporte marítimo".
"Apostámos na complementaridade entre o porto de Leixões e de Viana numa lógica de abrangência de todo o tecido económico exportador. É o reconhecimento da importância das relações logísticas entre Leixões, Viana do Castelo, a região Norte e do Noroeste Peninsular".
O primeiro-ministro, que presidiu à cerimónia de consignação dos acessos rodoviários ao porto de mar, e antes, nos estaleiros, ao lançamento do concurso para o aprofundamento do canal, disse serem "excelentes exemplos de como um bom investimento público pode contribuir para melhorar o investimento privado".
"O país tem que se construir assim. As verdadeiras parcerias entre o setor público e o setor privado são aquelas em que os investimentos públicos servem as populações, mas permitem também gerar atividades que produzem riqueza, que com essa riqueza permitem sustentar as finanças públicas do país, reforçando a nossa capacidade de continuar a investir", frisou.
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, destacou uma resolução do Conselho de Ministros de setembro de 1976, assinada por Mário Soares, que "autoriza a adjudicação da execução da primeira fase da construção do porto de Viana do Castelo e aprova a minuta do contrato com o empreiteiro adjudicatário, a Companhia Portuguesa de Transportes Portuários, pela importância global de 410.466.721 escudos e 20 centavos".
"O desenvolvimento e conclusão do projeto do porto de Viana do Castelo foi sendo objeto ao longo dos anos de projetos, discussões, debates mais ou menos acalorados, mas não avançavam as intervenções estruturantes que rompessem os fatores críticos que muitos estudos e alguns planos identificavam", frisou o autarca.
José Maria Costa realçou ainda que o programa "Portugal 2020 tem sido um bom instrumento de trabalho para a região, tendo o Alto Minho captado já mais de 500 milhões de euros, dos quais 2/3 destinados a investimentos nas atividades económicas".
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