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Duas pistas, capacidade para 56 milhões e 'shuttle' direto do Oriente: os pontos essenciais sobre o novo aeroporto

Sumário do executivo abrange dimensão, construção, acessibilidades, calendário e financiamento da infraestrutura.

23 de julho de 2026 às 19:23

O novo aeroporto terá duas pistas, capacidade para 56 milhões de passageiros e um 'shuttle' direto do Oriente, com viagens de 20 minutos e frequência de meia em meia hora, que a ANA defende reforçar.

Eis os pontos essenciais do que se sabe até agora sobre o Aeroporto Luís de Camões, com base no sumário executivo do relatório técnico da ANA -- Aeroportos de Portugal, abrangendo a dimensão, construção, acessibilidades, calendário e financiamento da infraestrutura.

Abertura em 2037

A ANA prevê iniciar as obras em meados de 2030, concluir a construção até ao final de 2036 e colocar o novo aeroporto em funcionamento em meados de 2037.

O calendário está em linha com a duração apresentada no relatório inicial, entregue em dezembro de 2024 e publicado em janeiro seguinte, e pressupõe que os acordos relativos ao novo aeroporto sejam assinados em abril de 2029.

A concessionária admite que a abertura poderá ser antecipada caso o Estado acelere a aprovação final do projeto.

O mais recente cronograma apresentado prevê que a aprovação final do aeroporto seja obtida até abril de 2029, após o que serão desenvolvidos o projeto de execução, os métodos de construção, os processos de aquisição e parte do licenciamento ambiental.

A fase principal de construção decorrerá entre 2031 e 2035, com trabalhos simultâneos nas pistas, terminal, edifícios operacionais e redes técnicas.

Entre 2035 e 2037 serão realizados a integração dos sistemas, os testes, o comissionamento e a certificação das infraestruturas.

A preparação operacional e a transferência da atividade aeroportuária só poderá começar no final de 2036.

Encerramento da Portela

A entrada em funcionamento do Aeroporto Luís de Camões implicará o encerramento, no mesmo momento, das operações aéreas na Portela.

Segundo a ANA, "a entrada em serviço do novo aeroporto de Lisboa implica no mesmo momento o encerramento das operações aéreas no Aeroporto Humberto Delgado considerando que os procedimentos de controlo aéreo não preveem a utilização simultânea do espaço aéreo e sendo impossível a duplicação dos recursos humanos"Investimento até 8,9 mil milhões +++

Investimento até 8,9 mil milhões

A concessionária dos aeroportos nacionais estima que o investimento no novo aeroporto ficará entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, a preços do quarto trimestre de 2024.

O valor superior, de 8,9 mil milhões de euros, corresponde à estimativa de referência elaborada pela consultora internacional AECOM, e tem em conta também os valores da inflação.

O limite inferior, de 7,9 mil milhões, representa a meta que a concessionária pretende alcançar através da revisão das soluções técnicas, da otimização dos requisitos e de medidas de engenharia de valor.

Esta redução, superior a 10% face à estimativa da AECOM, colocaria o custo abaixo dos 8,5 mil milhões de euros apontados no relatório inicial de dezembro de 2024, com base em preços de 2023.

A estimativa inclui os contratos de conceção e construção, os custos da concessionária e uma provisão para os riscos e contingências já identificados.

Ainda assim, o orçamento é considerado indicativo, uma vez que o projeto se encontra em fase de estudo prévio.

A estimativa é classificada como Classe 3 segundo a metodologia da Associação para o Avanço da Engenharia de Custos, "amplamente utilizado em grandes projetos de infraestrutura", segundo a ANA, apresentando uma margem de precisão entre menos 20% e mais 30%.

A ANA alerta ainda que a inflação dos custos de construção, as incertezas geopolíticas, as pressões nas cadeias de abastecimento e a volatilidade dos mercados poderão aumentar o investimento.

Custos que ficam de fora

O intervalo entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros abrange apenas os trabalhos que estão sob responsabilidade da ANA.

A estimativa não inclui as ligações ferroviárias ao aeroporto, a rede rodoviária exterior, a Terceira Travessia do Tejo ou as ligações às autoestradas A33 e A13 e às estradas nacionais e municipais da região.

Também ficam excluídas as redes exteriores de eletricidade, telecomunicações, água, esgotos e combustível.

Não estão contempladas as expropriações fora do Campo de Tiro de Alcochete, a desmilitarização e descontaminação dos terrenos, nem a transferência das atividades da Força Aérea Portuguesa.

O orçamento também poderá ser alterado por medidas adicionais de mitigação e compensação ambiental resultantes do processo de licenciamento ou por exigências arquitetónicas ainda não definidas. A ANA prevê submeter o Estudo de Impacte Ambiental até ao final deste mês.

Além disso, também deverá atualizar o relatório técnico em janeiro de 2027, simultaneamente com a entrega do relatório financeiro, incorporando o desenvolvimento do projeto e os resultados da avaliação ambiental.

56 milhões de passageiros na abertura

O aeroporto deverá ter capacidade para receber até 56 milhões de passageiros por ano quando abrir, comparativamente com os 36,1 milhões registados no Aeroporto Humberto Delgado em 2025.

O plano diretor permitirá aumentar progressivamente a capacidade para 85 milhões de passageiros anuais.

A infraestrutura ocupará cerca de 2.250 hectares no Campo de Tiro de Alcochete, uma área mais de cinco vezes superior à do atual aeroporto de Lisboa.

Para a fase de abertura, serão necessárias expropriações de cerca de 92 hectares.

O terminal ficará localizado na zona central, entre as duas pistas, enquanto os acessos multimodais e os parques de estacionamento estarão concentrados a sul.

A configuração foi pensada para permitir o crescimento através da expansão do terminal, das zonas de embarque e das posições de estacionamento de aeronaves, sem necessidade de construir terminais satélite independentes.

Duas pistas

O novo aeroporto terá inicialmente duas pistas, que poderão ser utilizadas em simultâneo durante as horas de maior tráfego.

A pista oeste terá 4.000 metros de comprimento e será utilizada principalmente nas operações de fora do espaço Schengen.

A pista este terá 3.700 metros e destina-se predominantemente às ligações dentro do espaço Schengen, embora possa receber aeronaves de maior dimensão em situações excecionais.

A ANA pretende que mais de 90% dos passageiros embarquem e desembarquem em posições junto ao terminal, ligadas às aeronaves por pontes de embarque, evitando deslocações de autocarro.

Terminal com 500 mil metros quadrados

O terminal de passageiros será constituído por um edifício único, modular e com possibilidade de expansão.

Na abertura, deverá ter aproximadamente 500 mil metros quadrados, embora a ANA admita reduzir a área em até 10% durante o aprofundamento do projeto.

O edifício terá um processador central ligado a três zonas de embarque: uma para passageiros do espaço Schengen, outra para voos não Schengen e uma terceira de utilização flexível.

O projeto prevê até 194 quiosques de 'check-in' automático, 22 linhas de segurança, 160 equipamentos do sistema europeu de entradas e saídas, 32 portas eletrónicas e 51 balcões de controlo de passaportes.

Estão igualmente previstas 64 portas de embarque em contacto direto, 76 pontes de embarque e 17 tapetes de recolha de bagagens.

Ligações ferroviárias

Segundo a informação transmitida pela Infraestruturas de Portugal, o aeroporto deverá ser servido por um 'shuttle' direto a partir da Gare do Oriente, com um tempo de viagem de cerca de 20 minutos e uma frequência de meia em meia hora.

A ANA considera, contudo, necessário aumentar a frequência deste serviço, atendendo à localização do aeroporto, a mais de 50 quilómetros do centro de Lisboa.

A concessionária defende ainda que seja avaliada uma ligação ferroviária convencional direta, sem transbordo, entre Lisboa e o Aeroporto Luís de Camões.

O aeroporto também deverá ser servido pela linha ferroviária de alta velocidade Lisboa--Madrid, com uma viagem de 26 minutos a partir de Lisboa e uma frequência de duas em duas horas.

Está ainda prevista uma ligação convencional a partir de Entrecampos, com uma duração estimada de 45 minutos e uma frequência de 15 em 15 minutos.

O relatório alerta que a falta de coordenação entre os calendários do aeroporto e das acessibilidades poderá atrasar a abertura.

Acessos condicionam abertura

A ANA não será responsável pela construção das principais acessibilidades ferroviárias e rodoviárias exteriores ao perímetro aeroportuário.

Apesar disso, o relatório considera que essas infraestruturas são essenciais para a viabilidade financeira e operacional do aeroporto.

A preparação para a entrada em funcionamento só poderá avançar quando estiverem disponíveis os acessos permanentes, as redes de abastecimento e as instalações sob responsabilidade de terceiros.

Entre estas instalações encontram-se a torre de controlo, os equipamentos de navegação aérea e meteorologia e as infraestruturas destinadas à carga, assistência em terra, manutenção e fornecimento de refeições às aeronaves.

Os parques de média e longa duração terão capacidade para até 18.700 veículos.

Estão ainda previstos cerca de 4.700 lugares destinados aos trabalhadores do aeroporto.

No total, o sistema poderá superar os 26 mil lugares, embora o dimensionamento de cada área ainda possa ser revisto nas próximas fases.

Grandes movimentações de terras

A preparação dos terrenos implicará a escavação de cerca de 25 milhões de metros cúbicos de materiais e a utilização de aproximadamente 20 milhões de metros cúbicos em aterros.

A ANA pretende equilibrar as escavações e os aterros para reduzir a necessidade de transportar materiais para dentro ou para fora da obra.

O projeto obriga também ao desvio da ribeira do Vale Cobrão, que atravessa a área prevista para o aeroporto.

A intervenção abrangerá aproximadamente 36 hectares e deverá garantir a continuidade do curso de água, a segurança das operações e a possibilidade de futuras expansões das pistas e das infraestruturas ferroviárias.

Serão realizados novos ensaios geotécnicos para atualizar e aprofundar os levantamentos efetuados em 2009.

Energia e sustentabilidade

A ANA pretende obter a certificação LEED Gold para o terminal e integrar o aeroporto no programa internacional Airport Carbon Accreditation.

O projeto prevê a produção local de energia renovável, com o objetivo de cobrir cerca de 35% das necessidades da infraestrutura.

Também estão previstas medidas de eficiência energética, reutilização de águas pluviais e residuais tratadas e descarbonização dos veículos e equipamentos utilizados no lado aéreo.

A concessionária está ainda a estudar o recurso à energia geotérmica.

Construção dividida em cinco lotes

Nesta fase, a ANA identificou cinco grandes lotes para a construção do aeroporto, permitindo o desenvolvimento simultâneo de diferentes frentes de trabalho.

O terminal de passageiros representa a maior parcela do orçamento, com um peso estimado de 44%.

As infraestruturas do lado aéreo representam 19%, as instalações auxiliares e redes técnicas 18%, as infraestruturas do lado terrestre 11% e os trabalhos preparatórios 8%.

Os contratos deverão seguir um modelo de conceção-construção, no qual cada empreiteiro ou consórcio ficará responsável pelo projeto de execução, aquisição dos materiais e construção do respetivo lote.

A ANA prevê iniciar a contratação dos lotes mais críticos antes de receber a aprovação final do aeroporto, recorrendo, em princípio, ao procedimento de diálogo concorrencial.

O objetivo é permitir que os trabalhos possam começar logo após a aprovação definitiva do projeto.

Próximos passos

A entrega do relatório técnico corresponde à terceira de seis etapas previstas na preparação da candidatura ao Aeroporto Luís de Camões.

Até 31 de julho, a ANA deverá entregar à Agência Portuguesa do Ambiente o Estudo de Impacte Ambiental do projeto.

A concessionária tem depois até 17 de janeiro de 2027 para apresentar o relatório financeiro, que deverá detalhar o modelo de financiamento e atualizar os custos do novo aeroporto.

A candidatura deverá ficar concluída em janeiro de 2028, seguindo-se a apreciação pelo Estado, estando a aprovação final prevista até abril de 2029.

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