Sumário do executivo abrange dimensão, construção, acessibilidades, calendário e financiamento da infraestrutura.
O novo aeroporto terá duas pistas, capacidade para 56 milhões de passageiros e um 'shuttle' direto do Oriente, com viagens de 20 minutos e frequência de meia em meia hora, que a ANA defende reforçar.
Eis os pontos essenciais do que se sabe até agora sobre o Aeroporto Luís de Camões, com base no sumário executivo do relatório técnico da ANA -- Aeroportos de Portugal, abrangendo a dimensão, construção, acessibilidades, calendário e financiamento da infraestrutura.
Abertura em 2037
A ANA prevê iniciar as obras em meados de 2030, concluir a construção até ao final de 2036 e colocar o novo aeroporto em funcionamento em meados de 2037.
O calendário está em linha com a duração apresentada no relatório inicial, entregue em dezembro de 2024 e publicado em janeiro seguinte, e pressupõe que os acordos relativos ao novo aeroporto sejam assinados em abril de 2029.
A concessionária admite que a abertura poderá ser antecipada caso o Estado acelere a aprovação final do projeto.
O mais recente cronograma apresentado prevê que a aprovação final do aeroporto seja obtida até abril de 2029, após o que serão desenvolvidos o projeto de execução, os métodos de construção, os processos de aquisição e parte do licenciamento ambiental.
A fase principal de construção decorrerá entre 2031 e 2035, com trabalhos simultâneos nas pistas, terminal, edifícios operacionais e redes técnicas.
Entre 2035 e 2037 serão realizados a integração dos sistemas, os testes, o comissionamento e a certificação das infraestruturas.
A preparação operacional e a transferência da atividade aeroportuária só poderá começar no final de 2036.
Encerramento da Portela
A entrada em funcionamento do Aeroporto Luís de Camões implicará o encerramento, no mesmo momento, das operações aéreas na Portela.
Segundo a ANA, "a entrada em serviço do novo aeroporto de Lisboa implica no mesmo momento o encerramento das operações aéreas no Aeroporto Humberto Delgado considerando que os procedimentos de controlo aéreo não preveem a utilização simultânea do espaço aéreo e sendo impossível a duplicação dos recursos humanos"Investimento até 8,9 mil milhões +++
Investimento até 8,9 mil milhões
A concessionária dos aeroportos nacionais estima que o investimento no novo aeroporto ficará entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, a preços do quarto trimestre de 2024.
O valor superior, de 8,9 mil milhões de euros, corresponde à estimativa de referência elaborada pela consultora internacional AECOM, e tem em conta também os valores da inflação.
O limite inferior, de 7,9 mil milhões, representa a meta que a concessionária pretende alcançar através da revisão das soluções técnicas, da otimização dos requisitos e de medidas de engenharia de valor.
Esta redução, superior a 10% face à estimativa da AECOM, colocaria o custo abaixo dos 8,5 mil milhões de euros apontados no relatório inicial de dezembro de 2024, com base em preços de 2023.
A estimativa inclui os contratos de conceção e construção, os custos da concessionária e uma provisão para os riscos e contingências já identificados.
Ainda assim, o orçamento é considerado indicativo, uma vez que o projeto se encontra em fase de estudo prévio.
A estimativa é classificada como Classe 3 segundo a metodologia da Associação para o Avanço da Engenharia de Custos, "amplamente utilizado em grandes projetos de infraestrutura", segundo a ANA, apresentando uma margem de precisão entre menos 20% e mais 30%.
A ANA alerta ainda que a inflação dos custos de construção, as incertezas geopolíticas, as pressões nas cadeias de abastecimento e a volatilidade dos mercados poderão aumentar o investimento.
Custos que ficam de fora
O intervalo entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros abrange apenas os trabalhos que estão sob responsabilidade da ANA.
A estimativa não inclui as ligações ferroviárias ao aeroporto, a rede rodoviária exterior, a Terceira Travessia do Tejo ou as ligações às autoestradas A33 e A13 e às estradas nacionais e municipais da região.
Também ficam excluídas as redes exteriores de eletricidade, telecomunicações, água, esgotos e combustível.
Não estão contempladas as expropriações fora do Campo de Tiro de Alcochete, a desmilitarização e descontaminação dos terrenos, nem a transferência das atividades da Força Aérea Portuguesa.
O orçamento também poderá ser alterado por medidas adicionais de mitigação e compensação ambiental resultantes do processo de licenciamento ou por exigências arquitetónicas ainda não definidas. A ANA prevê submeter o Estudo de Impacte Ambiental até ao final deste mês.
Além disso, também deverá atualizar o relatório técnico em janeiro de 2027, simultaneamente com a entrega do relatório financeiro, incorporando o desenvolvimento do projeto e os resultados da avaliação ambiental.
56 milhões de passageiros na abertura
O aeroporto deverá ter capacidade para receber até 56 milhões de passageiros por ano quando abrir, comparativamente com os 36,1 milhões registados no Aeroporto Humberto Delgado em 2025.
O plano diretor permitirá aumentar progressivamente a capacidade para 85 milhões de passageiros anuais.
A infraestrutura ocupará cerca de 2.250 hectares no Campo de Tiro de Alcochete, uma área mais de cinco vezes superior à do atual aeroporto de Lisboa.
Para a fase de abertura, serão necessárias expropriações de cerca de 92 hectares.
O terminal ficará localizado na zona central, entre as duas pistas, enquanto os acessos multimodais e os parques de estacionamento estarão concentrados a sul.
A configuração foi pensada para permitir o crescimento através da expansão do terminal, das zonas de embarque e das posições de estacionamento de aeronaves, sem necessidade de construir terminais satélite independentes.
Duas pistas
O novo aeroporto terá inicialmente duas pistas, que poderão ser utilizadas em simultâneo durante as horas de maior tráfego.
A pista oeste terá 4.000 metros de comprimento e será utilizada principalmente nas operações de fora do espaço Schengen.
A pista este terá 3.700 metros e destina-se predominantemente às ligações dentro do espaço Schengen, embora possa receber aeronaves de maior dimensão em situações excecionais.
A ANA pretende que mais de 90% dos passageiros embarquem e desembarquem em posições junto ao terminal, ligadas às aeronaves por pontes de embarque, evitando deslocações de autocarro.
Terminal com 500 mil metros quadrados
O terminal de passageiros será constituído por um edifício único, modular e com possibilidade de expansão.
Na abertura, deverá ter aproximadamente 500 mil metros quadrados, embora a ANA admita reduzir a área em até 10% durante o aprofundamento do projeto.
O edifício terá um processador central ligado a três zonas de embarque: uma para passageiros do espaço Schengen, outra para voos não Schengen e uma terceira de utilização flexível.
O projeto prevê até 194 quiosques de 'check-in' automático, 22 linhas de segurança, 160 equipamentos do sistema europeu de entradas e saídas, 32 portas eletrónicas e 51 balcões de controlo de passaportes.
Estão igualmente previstas 64 portas de embarque em contacto direto, 76 pontes de embarque e 17 tapetes de recolha de bagagens.
Ligações ferroviárias
Segundo a informação transmitida pela Infraestruturas de Portugal, o aeroporto deverá ser servido por um 'shuttle' direto a partir da Gare do Oriente, com um tempo de viagem de cerca de 20 minutos e uma frequência de meia em meia hora.
A ANA considera, contudo, necessário aumentar a frequência deste serviço, atendendo à localização do aeroporto, a mais de 50 quilómetros do centro de Lisboa.
A concessionária defende ainda que seja avaliada uma ligação ferroviária convencional direta, sem transbordo, entre Lisboa e o Aeroporto Luís de Camões.
O aeroporto também deverá ser servido pela linha ferroviária de alta velocidade Lisboa--Madrid, com uma viagem de 26 minutos a partir de Lisboa e uma frequência de duas em duas horas.
Está ainda prevista uma ligação convencional a partir de Entrecampos, com uma duração estimada de 45 minutos e uma frequência de 15 em 15 minutos.
O relatório alerta que a falta de coordenação entre os calendários do aeroporto e das acessibilidades poderá atrasar a abertura.
Acessos condicionam abertura
A ANA não será responsável pela construção das principais acessibilidades ferroviárias e rodoviárias exteriores ao perímetro aeroportuário.
Apesar disso, o relatório considera que essas infraestruturas são essenciais para a viabilidade financeira e operacional do aeroporto.
A preparação para a entrada em funcionamento só poderá avançar quando estiverem disponíveis os acessos permanentes, as redes de abastecimento e as instalações sob responsabilidade de terceiros.
Entre estas instalações encontram-se a torre de controlo, os equipamentos de navegação aérea e meteorologia e as infraestruturas destinadas à carga, assistência em terra, manutenção e fornecimento de refeições às aeronaves.
Os parques de média e longa duração terão capacidade para até 18.700 veículos.
Estão ainda previstos cerca de 4.700 lugares destinados aos trabalhadores do aeroporto.
No total, o sistema poderá superar os 26 mil lugares, embora o dimensionamento de cada área ainda possa ser revisto nas próximas fases.
Grandes movimentações de terras
A preparação dos terrenos implicará a escavação de cerca de 25 milhões de metros cúbicos de materiais e a utilização de aproximadamente 20 milhões de metros cúbicos em aterros.
A ANA pretende equilibrar as escavações e os aterros para reduzir a necessidade de transportar materiais para dentro ou para fora da obra.
O projeto obriga também ao desvio da ribeira do Vale Cobrão, que atravessa a área prevista para o aeroporto.
A intervenção abrangerá aproximadamente 36 hectares e deverá garantir a continuidade do curso de água, a segurança das operações e a possibilidade de futuras expansões das pistas e das infraestruturas ferroviárias.
Serão realizados novos ensaios geotécnicos para atualizar e aprofundar os levantamentos efetuados em 2009.
Energia e sustentabilidade
A ANA pretende obter a certificação LEED Gold para o terminal e integrar o aeroporto no programa internacional Airport Carbon Accreditation.
O projeto prevê a produção local de energia renovável, com o objetivo de cobrir cerca de 35% das necessidades da infraestrutura.
Também estão previstas medidas de eficiência energética, reutilização de águas pluviais e residuais tratadas e descarbonização dos veículos e equipamentos utilizados no lado aéreo.
A concessionária está ainda a estudar o recurso à energia geotérmica.
Construção dividida em cinco lotes
Nesta fase, a ANA identificou cinco grandes lotes para a construção do aeroporto, permitindo o desenvolvimento simultâneo de diferentes frentes de trabalho.
O terminal de passageiros representa a maior parcela do orçamento, com um peso estimado de 44%.
As infraestruturas do lado aéreo representam 19%, as instalações auxiliares e redes técnicas 18%, as infraestruturas do lado terrestre 11% e os trabalhos preparatórios 8%.
Os contratos deverão seguir um modelo de conceção-construção, no qual cada empreiteiro ou consórcio ficará responsável pelo projeto de execução, aquisição dos materiais e construção do respetivo lote.
A ANA prevê iniciar a contratação dos lotes mais críticos antes de receber a aprovação final do aeroporto, recorrendo, em princípio, ao procedimento de diálogo concorrencial.
O objetivo é permitir que os trabalhos possam começar logo após a aprovação definitiva do projeto.
Próximos passos
A entrega do relatório técnico corresponde à terceira de seis etapas previstas na preparação da candidatura ao Aeroporto Luís de Camões.
Até 31 de julho, a ANA deverá entregar à Agência Portuguesa do Ambiente o Estudo de Impacte Ambiental do projeto.
A concessionária tem depois até 17 de janeiro de 2027 para apresentar o relatório financeiro, que deverá detalhar o modelo de financiamento e atualizar os custos do novo aeroporto.
A candidatura deverá ficar concluída em janeiro de 2028, seguindo-se a apreciação pelo Estado, estando a aprovação final prevista até abril de 2029.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.