Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade

Empresário da Covilhã reivindica em tribunal Torá com 400 anos

Autarquia considera que documento judaico deve ser mantido no domínio público.
16 de Maio de 2017 às 14:58
A torá é o mais importante texto do judaísmo (foto de arquivo)
A torá é o mais importante texto do judaísmo (foto de arquivo) FOTO: iStockphoto
O empresário da Covilhã que diz ter adquirido uma Torá com 400 anos, cuja descoberta foi revelada em setembro de 2016, intentou uma ação em tribunal para que a autarquia lhe entregue o documento, disse o próprio à agência Lusa.

Uma ação da qual o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, confirmou ter conhecimento, explicando contudo que a autarquia considera que este documento judaico deve ser mantido no domínio público, dada a sua relevância cultural.

A 15 de setembro de 2016, o município covilhanense informou que tinha sido descoberta naquela cidade do distrito de Castelo Branco uma Torá com mais de 400 anos, em muito bom estado de conservação e que passou nessa altura a estar à guarda da autarquia para fins de estudo e avaliação da importância histórica.

Torá é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh e que constituem o texto central do judaísmo.

Segundo a explicação dada na altura por Vítor Pereira, a Torá tinha sido encontrada há cerca de 10 anos, durante a demolição de um edifício no centro da cidade, mas, na altura, o empreiteiro não terá tido consciência da importância do achado, limitando-se a guardá-lo.

Dias depois, um empresário José Correia, que é proprietário de um conhecido restaurante da cidade, anunciou publicamente que tinha comprado a Torá ao empreiteiro e que a transação já estava formalizada e registada em cartório.

Depois disso, segundo referiu, contactou a autarquia, solicitando que a Torá lhe fosse entregue, mas como tal não ocorreu decidiu recorrer ao tribunal.

"Já passaram estes meses todos e eles não atam nem desatam e nem sequer aceitaram as condições de uma proposta de empréstimo que lhes apresentei. Portanto, tive de seguir pela via legal", apontou José Correia.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da Câmara explicou que, apesar da ação, a autarquia entende que este documento permaneça no domínio público e não privado.

"Antes de mais, temos de ver que estamos a falar de um documento que pode ter um valor histórico importantíssimo e, por isso mesmo, achamos que deve ser estudado e avaliado pelos especialistas para que se possa confirmar a primeira avaliação. Por outro lado, consideramos que, pelo seu interesse público, cultural e patrimonial, a Torá deve manter-se no domínio público e pugnaremos para que assim seja", afirmou.

Garantido que a autarquia não acompanhou a "alegada venda", o autarca também frisou que acima da questão da propriedade está o valor da referida Torá e a forma como ela será preservada.

"A seu tempo, o tribunal determinará aquilo que deve ser feito", conclui.

A primeira sessão de julgamento relativa a esta ação já esteve marcada para dia 10 de maio, mas acabou por ser adiada. Deverá ser agora realizada a 06 de junho.
covilhã tora livro judaico compra câmara tribunal processo
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)