Manifestação pelo reconhecimento da carreira e pelo descongelamento da progressão profissional.
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Uma centena e meia de enfermeiros concentrou-se, esta terça-feira de manhã, em frente ao Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), em luta pelo reconhecimento da carreira de enfermagem e pelo descongelamento da progressão profissional, no segundo dia de greve destes profissionais.
"Isto é um protesto que decidimos fazer, um movimento espontâneo de enfermeiros, cerca de 150, com outros tantos lá dentro a prestar os cuidados mínimos", explicou à agência Lusa Tiago Maurício, de 30 anos.
O enfermeiro, com nove anos de carreira, adiantou que na unidade que serve os municípios de Amadora e Sintra existe "uma particularidade", relacionada com o acordo de empresa, da altura em que o hospital era gerido por um grupo privado, e por isso "os enfermeiros não ganham 1.200 euros, mas 1.080 ou 1.170" de vencimento base.
A adesão à greve, convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros (SE), registou no Amadora-Sintra "cerca de 95% no Serviço de Urgência, 95% no bloco operatório e 100% nas unidades de cuidados intensivos, nas consultas externas e pediatria", estimou Tiago Maurício.
"Nós só queremos carreira de enfermagem, carreira de enfermagem, carreira de enfermagem", entoavam os manifestantes, frente à portaria da unidade, que alternavam com outros cânticos, como "Adalberto escuta, enfermeiros estão em luta" ou "A saúde está primeiro, respeita o enfermeiro".
Entre os manifestantes empunhavam-se folhas e cartazes improvisados onde também se podia ler simplesmente "basta" ou um mais elaborado "Os enfermeiros cuidam das pessoas, e quem cuida dos enfermeiros?"
"Estamos a lutar por uma remuneração justa, de acordo com as nossas competências, e uma carreira que nos dignifique", salientou Artur Marques, 48 anos, enfermeiro há 26, sem progressão profissional "desde 2005".
Apesar de a greve ter sido convocada pelo Sindicato de Enfermeiros, o enfermeiro do ACES (Agrupamento de Centros de Saúde) de Sintra notou que o protesto no Fernando Fonseca foi "organizado como um grupo específico" para acabar com situações de "enfermeiros com as mesmas funções, mas com horas e ordenados diferentes".
"Estou a lutar pela carreira, por um ordenado mais justo, condicente com a minha qualidade de licenciada", afirmou Isabel Oliveira, 33 anos, enfermeira há dois anos, no serviço de pediatria.
A profissional tem como ordenado base 1.080 euros e na folha de vencimento deste mês "não chegou aos mil euros", exemplificou.
"É preciso que se desbloqueie a carreira de enfermagem, porque há colegas com muito mais anos que ganham o mesmo que no início", apontou.
O protesto, que se iniciou pelas 08:00 e desmobilizou pelas 13:30, vai continuar nos próximos dias, se não houver "nenhum tipo de desenvolvimento", admitiu Tiago Maurício.
O primeiro-ministro esteve na segunda-feira ao início da noite, em São Bento, reunido com o ministro da Saúde a preparar uma reunião que Adalberto Campos Fernandes terá hoje com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
A greve, marcada pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE) e pelo SE, começou às 00:00 de segunda-feira e decorre até às 24:00 de sexta-feira.
O primeiro dia de greve, que teve uma adesão de 85%, ficou marcado por várias manifestações de enfermeiros frente a alguns dos principais hospitais portugueses, nomeadamente no Porto, Coimbra e Lisboa.
A greve foi marcada como forma de protesto contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.
LYFS (DD/SMS) // PMC
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