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Correio da Manhã

Sociedade
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Enfermeiros pedem intervenção de Sócrates

A Ordem dos Enfermeiros enviou uma carta ao primeiro-ministro, José Sócrates, a pedir uma audiência urgente, depois do atrasado de meses por parte do Ministério da Saúde em aprovar um novo estatuto para a organização.
17 de Fevereiro de 2009 às 18:19
Enfermeiros pedem intervenção de Sócrates
Enfermeiros pedem intervenção de Sócrates

A bastonária Maria Augusta Silva lembra que “todos, incluindo a actual ministra Ana Jorge, concordam que há mudanças necessárias”, mas ninguém avança com as medidas políticas que vão permitir criar novas regras na certificação de competências dos enfermeiros e um internato obrigatório depois da licenciatura.

 

Em véspera de mais uma greve, marcada para sexta-feira, as cinco organizações profissionais (Ordem e sindicatos) juntaram esforços para contestar as políticas de saúde. Em conferência de imprensa, esta terça-feira, José Carlos Martins, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, afirmou temer “uma agenda” do ministério que empurre a negociação da carreira de enfermagem para depois das eleições.

 

Os enfermeiros lembram que o “descontentamento é muito elevado” e prevêem uma forte adesão à paralisação desta semana. Se nada mudar, dizem que “é inevitável uma radicalização” de posições e prometem novas greves e protestos para Março.

 

Os representantes defendem que “a população não beneficia de todo o saber que os enfermeiros podem dar” porque, apesar de não haver falta de profissionais formados, as unidades de saúde não os contrata. “Todos os dias são confrontados com questões éticas perante as quais podem ser responsabilizados criminalmente”, disse a bastonária. Fernando Correia, do Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem, deu o exemplo: “Quando apenas três enfermeiros têm que seguir 14 doentes para seguir no pós-operatório e dois ou três casos se agravam, não temos alternativa que não deixar os outros. E isto é o nosso dia-a-dia ”.

 

Na nova rede de cuidados continuados, uma das apostas do Governo, a carência de profissionais também se faz sentir. 'A ordem dos Enfermeiros sabe que a média dos enfermeiros nas Unidades de Convalescença ronda os 14,8 ou 15,6 em tempo parcial, correspondendo a oito enfermeiros a tempo inteiro, número manifestamente insuficiente para elaborar e assegurar uma escala permanente”.

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