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Correio da Manhã

Sociedade
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Enfermeiros querem pedido de desculpas de Costa e ministra da Saúde sobre 'crowdfunding'

Ana Rita Cavaco reagiu ao resultado da ação da inspeção da ASAE a quatro plataformas eletrónicas de financiamento colaborativo.
Lusa 20 de Setembro de 2019 às 16:04
Ana Rita Cavaco com Marta Temido
Bastonária dos enfermeiros
Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros
Ana Rita Cavaco com Marta Temido
Bastonária dos enfermeiros
Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros
Ana Rita Cavaco com Marta Temido
Bastonária dos enfermeiros
Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros

A bastonária dos Enfermeiros disse esta sexta-feira que "ficava bem" ao primeiro-ministro e à ministra da Saúde pedirem desculpa aos enfermeiros e a si pelas insinuações de que teria desviado verbas da ordem para o 'crowdfunding' da greve cirúrgica.

Ana Rita Cavaco reagia desta forma ao resultado da ação da inspeção da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) a quatro plataformas eletrónicas de financiamento colaborativo (PPL, Novobancocrowdfunding, Boaboa e Crowdfunding) que estavam ativas no início do ano, entre as quais a que promoveu a campanha de recolha de fundos promovida pelos enfermeiros.

Na sequência da inspeção, a ASAE não encontrou ilícitos na campanha promovidas pelos enfermeiros, através da PPL para financiar duas greves nos blocos operatórios, que decorreram entre 22 de novembro e 31 de dezembro de 2018 e em fevereiro deste ano. No total, os enfermeiros angariaram mais de 720 mil euros.

A primeira reação de Ana Rita Cavaco foi publicada na sua página de Facebook, na qual afirma que durante meses foi acusada de desviar dinheiro da OE [Ordem dos Enfermeiros] para o 'crowdfunding' da greve cirúrgica".

"A intervenção da ASAE, a todas as estruturas do género a funcionar em Portugal, coincidiu com as suspeitas do Governo sobre a origem dos donativos, num total de 780 mil euros, para apoiar os enfermeiros ausentes dos blocos operatórios. À data, chegou a ser levantada a hipótese de grande parte do fundo solidário ter sido transferida pela própria Ordem dos Enfermeiros, já que a bastonária, Ana Rita Cavaco, disse publicamente ter contribuído para a greve a título pessoal", afirma no Facebook.

Em declarações à agência Lusa, a bastonária afirmou que os enfermeiros estão "felizes" porque a conclusão da investigação revela aquilo que disseram sempre, mas também estão "muito revoltados" porque isso serviu para o primeiro-ministro "atacar violentamente os enfermeiros e a Ordem dos Enfermeiros com insinuações de que a sua bastonária teria desviado dinheiro da ordem para o 'crowdfunding' da greve cirúrgica".

"A ASAE, que é uma instituição independente do Governo e da ministra da Saúde, vem agora dizer que isso não aconteceu preto no branco", disse Ana Rita Cavaco.

Portanto, frisou, "eu acho que ficava bem, não só ao senhor primeiro-ministro, mas também à ministra da Saúde fazerem um pedido desculpa aos enfermeiros e nomeadamente a mim que durante meses fui acusada de ter desviado dinheiro da ordem para o 'crowdfunding' e inclusive isso ter servido para o início de uma sindicância com todos os contornos que se seguiram".

A bastonária da OE defendeu ainda que "os políticos e quem faz política" têm de o fazer de "uma forma séria e de uma forma verdadeira".

"Temos que nos deixar no país de, cada vez que não gostamos de alguém ou de uma instituição ou da pessoa que a representa e daquilo que essa pessoa diz em nome da sua classe, de um grupo profissional ou de um grupo da sociedade, lançar a mão destes expedientes persecutórios e destas mentiras porque comprova-se hoje que o senhor primeiro-ministro quando disse que havia essa suspeita está a governar o país com o recurso à boataria e isso não pode acontecer naquilo que é um dirigentes máximo de um Governo", sublinhou Ana Rita Cavaco.

A ASAE adiantou que, nas plataformas fiscalizadas, foram selecionadas e examinadas oito campanhas "de maior relevo" em termos de "montantes angariados (ou a angariar) e de número de campanhas propostas por beneficiário em cada uma das plataformas".

A inspeção efetuada levou à abertura de um processo de contraordenação relativo a uma campanha de apoio a uma organização de âmbito formativo e digital.

"Não foram detetados indícios da prática de quaisquer outros ilícitos contraordenacionais ou criminais nas restantes sete campanhas inspecionadas", acrescenta a ASAE.

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