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Sociedade
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"Enorme perda para Portugal": As reações à morte do artista Cruzeiro Seixas

Surrealista português morreu este domingo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Lusa 9 de Novembro de 2020 às 10:47
Cruzeiro Seixas
Cruzeiro Seixas FOTO: Bruno Colaço / Correio da Manhã

O artista plástico Cruzeiro Seixas morreu este domingo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, aos 99 anos, revelou a Fundação Cupertino de Miranda.

Foi um dos nomes destacados do surrealismo em Portugal, é autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objetos/escultura.

Em outubro tinha sido distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, pelo "contributo incontestável para a cultura portuguesa", ombreando, com Mário Cesariny, Carlos Calvet e António Maria Lisboa, como um dos nomes mais relevantes e importantes do Surrealismo em Portugal, desde finais dos anos 1940.

Nas últimas horas foram várias as reações à morte do surrealista português. Marcelo Rebelo de Sousa destacou lamentou a morte do "mestre" que pertenceu a uma geração que "revolucionou o panorama artístico e literário" português.

"Artur do Cruzeiro Seixas, que nos deixou depois de uma vida longa e livre, foi uma figura multímoda da cultura portuguesa. A sua geração, que na década de 1940 aprendeu e transpôs as lições do surrealismo francês, revolucionou o nosso panorama artístico e literário", lê-se numa nota de pesar na página da Presidência.

António Costa: "O 'rei Artur' deixou-nos"

O primeiro-ministro, António Costa, destacou esta segunda-feira a obra do artista, considerando que continuará a ser "uma inspiração".

"O 'rei Artur' deixou-nos, mas a sua obra seguirá sendo uma inspiração", escreveu António Costa na sua conta oficial na rede Twitter.

O chefe do executivo português lembra ainda que "Artur do Cruzeiro Seixas deu longa vida ao surrealismo português" e que "os seus desenhos e objetos, nascidos da associação livre de elementos inesperados, continuam hoje tão irreverentes como quando foram criados".

Ferro Rodrigues: "Uma enorme perda para Portugal"

O presidente da Assembleia da República manifestou esta segunda-feira tristeza pela morte de Artur Cruzeiro Seixas, que considerou representar "uma enorme perda para Portugal e para as artes a nível internacional".

"O seu desaparecimento, a semanas de completar 100 anos, constitui uma enorme perda para Portugal e para as artes a nível internacional, ou não fosse o traço inconfundível de Cruzeiro Seixas o traço de um dos últimos surrealistas vivos", sublinha Eduardo Ferro Rodrigues, numa mensagem enviada à agência Lusa.

Ferro lembra Cruzeiro Seixas como o "decano dos artistas portugueses" e como "o último dos surrealistas, movimento que integrou com Cesariny, Calvet ou Vespeira, e a que foi fiel, na arte e na vida, até ao último dos seus dias".

"Tive a honra de o receber na Assembleia da República em 2018, por ocasião da Exposição "Arte, Resistência e Cidadania", organizada pela Bienal Internacional de Arte de Cerveira nos 40 anos do certame, em cujo acervo se incluem obras de Cruzeiro Seixas, sem dúvidas um dos artistas que mais marcaram a evolução da arte contemporânea em Portugal", assinala, enviando "sentidas condolências" à família e amigos do artista.

Ministra da Cultura lamenta morte de "expoente do surrealismo europeu"
A ministra da Cultura, Graça Fonseca considerou Cruzeiro Seixas como "sinónimo do património literário e artístico português dos últimos 80 anos".

Numa série de mensagens publicadas na rede social Twitter, a ministra recordou Cruzeiro Seixas como um "decano da arte portuguesa" e "expoente do surrealismo europeu".

"A vida e obra do Mestre Cruzeiro Seixas representam um contributo inegável para a cultura portuguesa, com a força criativa, inventiva e sensível que a sua dimensão artística sempre manifestou e que a cultura portuguesa nunca esquecerá", pode ler-se numa das publicações.

A ministra recorda que entregou ao artista a Medalha de Mérito Cultural no dia 14 de outubro e que, "nesse dia, a cultura portuguesa elevou-se ao reconhecer o seu registo inapagável"

"Hoje, é esse mesmo mérito e esse registo que repetimos e evocamos", refere Graça Fonseca.

PS recorda vida "dedicada à cultura e à liberdade" 
O PS destacou o percurso de vida "dedicada à cultura e à liberdade" do artista plástico Cruzeiro Seixas, que será, "para sempre, uma referência incontornável da expressão artística nacional".

"A vida de Cruzeiro Seixas dedicada à cultura e à liberdade, perdurará para além da sua partida e constituirá, para sempre, uma referência incontornável da expressão artística nacional", lê-se num comunicado do grupo parlamentar socialista.

A bancada do PS "associa-se ao pesar pelo falecimento de mestre Artur do Cruzeiro Seixas, o último representante do movimento surrealista português, e cujas obras, das artes plásticas à literatura, foram e continuarão a ser motivo de inspiração para todos os portugueses".

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