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Correio da Manhã

Sociedade
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Entidade Reguladora abre inquérito a empresa de diálise

A Entidade Reguladora Saúde (ERS) anunciou esta terça-feira que vai abrir um inquérito ao caso denunciado pelo Sindicato Independente dos Médicos sobre a intenção de uma empresa de diálise limitar o acesso de portadores de hepatite B ao tratamento.
25 de Outubro de 2011 às 13:31
Empresa solicitou a transferência dos 64 insuficientes renais  com Hepatite B
Empresa solicitou a transferência dos 64 insuficientes renais com Hepatite B FOTO: d.r.

O anúncio foi feito pelo presidente entidade da ERS, Jorge Simões, aos  jornalistas à margem da tomada de posse dos novos concelhos directivos das  administrações regionais de saúde.    

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) denunciou segunda-feira a  intenção da empresa NephroCare de encerrar até final deste mês as salas  de tratamento de diálise a portadores de vírus de Hepatite B em todo o país.

Esta empresa já solicitou a transferência dos 64 insuficientes renais  com Hepatite B que usavam os seus serviços para as administrações regionais  de saúde, mas assegura que nenhum doente corre risco.  

 A NephroCare explicou , em comunicado, ter pedido no dia 6 de Outubro  às administrações regionais de saúde (ARS) do país a transferência dos doentes:  18 para o Norte, 10 para o Centro, 31 para Lisboa, dois para o Alentejo  e três para o Algarve.    

"Foram contactadas as diversas ARS do país, no sentido de saber qual  o procedimento a adoptar com vista à concretização da desactivação das 11  diversas salas de diálise afectas ao tratamento de doentes portadores do  vírus da hepatite B", afirma a empresa em comunicado, esclarecendo que só  as ARS "podem determinar esta medida".

 A NephroCare assegura, contudo, que "não está a recusar o tratamento  a nenhum insuficiente renal crónico com hepatite B" e que este processo  "não coloca, em circunstância alguma, em risco a vida destes utentes, que  são actualmente tratados na NephroCare, e pretende-se de futuro que o sejam  na rede nefrológica dos Hospitais do SNS[Serviço Nacional de Saúde]".  

A empresa justifica a decisão com os cortes orçamentais efectuados pela  tutela e adianta que as suas dívidas ultrapassavam no final de agosto os  100 milhões de euros. 

O Ministério da Saúde confirmou ter tido conhecimento desta intenção  e esclareceu que as administrações regionais de saúde já estão a avaliar  a forma de apresentar alternativas para estes doentes. 

Entretanto, a partir da denúncia do SIM, a Inspecção Geral das Actividades  em Saúde abriu um processo de averiguações a esta situação.  

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