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Epidemiologista Henrique Barros diz que falar do fim da pandemia "é bastante exagerado"

Alerta que pensar-se que a infeção se pode espalhar facilmente sem ter consequências, pode ser "um erro" e uma decisão que se pagará gravemente.

05 de janeiro de 2022 às 16:13

O epidemiologista Henrique Barros considerou esta quarta-feira que falar do fim da pandemia "é bastante exagerado", alertando que pensar-se que a infeção se pode espalhar facilmente sem ter consequências, pode ser "um erro" e uma decisão que se pagará gravemente.

No final da sua intervenção na reunião de peritos com políticos no Infarmed, em Lisboa, com o título "O fim da pandemia? Certezas e Incertezas", o investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto citou uma frase do escritor norte-americano Mark Twain numa altura em que a Organização Mundial da Saúde afirmou que se acabarem as desigualdades no combate à pandemia e que 2022 poderá ser o ano em que ela terminará.

"Permitam-me usar aqui esta frase que poderá não ser totalmente verdadeira, mas é muito bem achada de Mark Twain e dizer que o anúncio do fim da pandemia infelizmente é capaz de ser bastante exagerado", declarou Henrique Barros.

Na sua opinião, não vale a pena, neste momento, continuar-se com "os cenários de erradicação iniciais" como aconteceu com os vírus SARS-Cov e MERS-Cov.

"A eliminação foi um esforço que não se justificou totalmente porque não se conseguiu sequer garanti-la em alguns países como se imaginou e, de facto, o essencial é garantir que controlamos, que antecipamos e respondemos e estamos preparados para responder e que isso é possível", defendeu.

Henrique Barros frisou que ainda persistem incertezas, enfatizando que a variante Ómicron ainda é "demasiado recente" e não se sabe qual é o risco em não vacinados ou em pessoas em que a vacina não induziu resposta imunitária, alertando ainda para a "long covid".

Contudo, frisou, "há uma clara dissociação do número de casos e da sua gravidade", esperando que isso signifique que "as variantes menos patogénicas também induzem menos doença a médio e longo prazo".

"Mas também não sabemos isso e, portanto, imaginar que podemos deixar que a infeção se espalhe facilmente e que isso não tem consequências pode ser um erro e uma decisão que pagaremos gravemente", alertou, defendendo uma estratégia "mais eficiente" de isolamento que permita que não pressionar os cuidados de saúde e garantir "um impacto minimizado" na vida social, económica e particularmente, nas escolas.

Numa escola não é necessário "colocar tanta gente em casa", defendeu, sustentado que é preciso saber jogar com a vacina, que protege, e com os testes que permite identificar as circunstâncias.

"E finalmente não sabemos ainda bem o que vai acontecer com a resposta à vacinação das crianças" e o que "pode ser ou não um novo esquema vacinal", com as três doses e depois de uma quarta dose de reforço ou, por exemplo, todos os anos.

Destacou que "há uma incerteza que é uma enorme esperança" que são as novas vacinas que seguramente irão aparecer mais adaptadas à modificação do vírus e tecnicamente serão mais eficazes.

"Com a vacinação e com uma estratégia de testes nós podemos viver e viver de uma forma muito próxima da normalidade", defendeu o especialista na reunião que hoje de manhã que juntou peritos, políticos e o Presidente da República, para debater a situação epidemiológica, na véspera do Conselho de Ministros.

Considerou também não haver razão nenhuma para se continuar a raciocinar em termos do número de casos e "muito menos" a medir a evolução da infeção e os riscos que ela coloca, contando diariamente os casos como se tem feito até agora.

"É inequívoco que a vacina mudou a resposta à infeção e mudou a nossa vida", mas também é verdade que "há uma imensa reflexão e investigação para identificar medicamentos úteis para responder àqueles casos que as vacinas não preveniu", rematou.

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