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Correio da Manhã

Sociedade
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Escola secundária de Évora sem aulas por não ter "condições mínimas"

Estabelecimento de ensino com cerca de 600 alunos está aberto mas com as atividades letivas suspensas.
Lusa 17 de Janeiro de 2018 às 11:12
Escola Secundária André de Gouveia
Escola Secundária André de Gouveia
Escola Secundária André de Gouveia
Escola Secundária André de Gouveia
Escola Secundária André de Gouveia
Escola Secundária André de Gouveia

A Escola Secundária André de Gouveia, em Évora, está esta quarta-feira sem aulas por não existirem "as condições mínimas" para funcionar, devido à falta de funcionários, impossibilidade de fornecer refeições e necessidade de obras, disse a diretora.

"Hoje não há aulas porque chegámos a uma rutura e não temos as condições mínimas para a escola estar a funcionar", frisou à agência Lusa Maria de Lurdes Batista, diretora do estabelecimento escolar.

A escola, com cerca de 600 alunos, do 7.º ao 12.º ano, está aberta, mas com as atividades letivas suspensas, durante todo o dia, numa decisão da direção da escola, em conjunto com a associação de pais, professores e funcionários".

"Estamos parados para que a comunidade escolar possa reunir e para verificarmos quais as condições que podemos dar aos alunos na quinta-feira, porque já vai haver aulas, mas com espaços encerrados", explicou a diretora.

Segundo Maria de Lurdes Batista, o estabelecimento enfrenta "vários problemas" e, "nos últimos dois anos e meio", comunicou essas dificuldades "às secretarias de Estado e ao ministro" das Educação, Tiago Brandão Rodrigues, assim como "ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, aos deputados e aos candidatos à Câmara de Évora", nas recentes eleições autárquicas.

"Todos sabem do que se passa e estamos à espera que nos digam alguma coisa superiormente e que arranjem soluções urgentes para minorar esta situação", argumentou.

Na Escola Secundária André de Gouveia, relatou a diretora, deviam trabalhar "24 assistentes operacionais", mas, atualmente, "devido às baixas, de curta e longa duração, apenas há 12 funcionários".

"Não há funcionários para o espaço todo e, agora, temos mais alguns de baixa. Aliás, temos estado a funcionar com pavilhões sem ninguém, são os professores que vão buscar a chave e resolvem os assuntos sozinhos", indicou.

O fornecimento de refeições é outro dos problemas, acrescentou.

"A canalização da cozinha é tubo galvanizado, com 40 anos. É velha, está toda ferrugenta e entrou em rutura em vários sítios. Quando arranjamos a tubagem num sítio, rebenta noutro", relatou.

Perante esta situação, as refeições têm estado a ser confecionadas em duas outras escolas, sendo depois transportadas para a André de Gouveia em marmitas, para distribuir aos alunos, "em pratos de plástico, visto que não se podiam lavar e higienizar os outros pratos".

"Tem sido horrível, porque não é condição nenhuma fazer parte da comida num sítio, outra noutro e transportá-la para a escola", mas, na terça-feira, a situação complicou-se ainda mais, porque "uma cozinheira, que já tinha uma tendinite, deu um jeito a carregar marmitas pesadas e ficou de baixa", contou a diretora.

A necessidade de obras na escola, para substituir a instalação elétrica, que "também é velha", ou para reparar o chão de salas de aulas e um pavilhão "onde entra chuva", é outra das reclamações da direção da escola, que vai reunir, hoje de tarde, com os pais e diretores de turma, para analisar o reinício das aulas, na quinta-feira.

"Estamos concentrados e vamos pensar o que podemos fazer", disse, explicando que a ideia passa por abrir normalmente na quinta-feira, mas "com o refeitório fechado e reforço do 'buffet', para que os alunos, mesmo que não tenham uma alimentação quente, terem mais fruta, sandes" e outros alimentos.

Câmara de Évora disponível para solução que permita obras
O autarca de Évora, Carlos Pinto de Sá, manifestou disponibilidade para encontrar soluções com o Governo que permitam a realização de obras na Escola Secundária André de Gouveia.

"Estamos disponíveis para encontrar uma solução, desde que seja equilibrada entre aquilo que são as responsabilidades do Governo e as da câmara", avisou o autarca, recusando que "recursos municipais financiem o que são as responsabilidades do Governo".

Pinto de Sá, que hoje visitou a ESAG, sublinhou tratar-se de "uma escola da responsabilidade do Ministério da Educação e não da câmara", mas frisou que o município admite fazer a obra e, até, pôr a comparticipação nacional, desde que seja compensado.

A possibilidade, segundo o autarca alentejano, foi apresentada pelo município numa reunião com a secretária de Estado Adjunto e da Educação, Alexandra Leitão, ficando o Governo de analisar e dar uma resposta.

"Desde que haja vontade reciproca, da nossa parte há, é possível encontrar as soluções, mas é óbvio que obriga a abrir os cordões à bolsa e o Governo tem de pôr dinheiro obviamente", acrescentou.

O autarca adiantou que, na mesma reunião com a secretária de Estado, o Ministério da Educação assumiu o compromisso de elaborar o projeto de intervenção na escola durante este ano, referindo que "infelizmente nem sequer há ainda projeto".

Quanto à falta de assistentes operacionais, o presidente da Câmara de Évora disse que o problema afeta todas as escolas do concelho, num total de 42 funcionários em falta, e que também já foram apresentadas soluções ao Governo.

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