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Correio da Manhã

Sociedade
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Escolas põem alunos a apagar os manuais escolares

CM recebeu diversas queixas de pais da região da grande Lisboa. Diretores consideram que se trata de um “esforço mínimo”.
Bernardo Esteves 21 de Junho de 2019 às 01:30
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Encarregados de educação mostram a quantidade de borracha usada para apagar os livros.
As escolas básicas do 1º e 2º ciclo estão a pedir a alunos e pais para apagarem os manuais escolares que receberam gratuitamente no início do ano letivo, antes de os devolverem para poderem ser reutilizados no próximo ano letivo.

O CM recebeu queixas de pais que dizem estar indignados com a situação. "Os meus dois filhos têm cada um cinco a seis livros, com 50 a 60 páginas de exercícios que agora exigem que sejam apagados", lamenta Nuno Nunes, cujos filhos frequentam o agrupamento Vergílio Ferreira, em Lisboa.

Outro pai garantiu, sob anonimato, que "há professores do 1º ciclo a obrigar os alunos a passar um dia inteiro de aulas a apagar os manuais escolares". E um outro afirma que os trabalhos para casa que o professor marca inclui apagar os manuais. Os diretores admitem a prática.

"Todos fazemos um esforço coletivo de muitos milhões de euros para dar os livros, e este é um esforço mínimo que se pede a alunos e famílias", afirma Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Muitos pais receiam ser obrigados a pagar livros por estarem pintados ou escritos a caneta. Filinto Lima admite haver um "grau de subjetividade na análise", mas defende que "só quem de forma dolosa estragou o manual deve ser obrigado a pagar para ter acesso no ano seguinte".
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