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Correio da Manhã

Sociedade
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Espanha retém água dos rios

A maior seca desde 1912 levou o governo espanhol a reduzir os caudais dos rios Minho, Douro e Tejo, facto que terá sido reportado a Portugal ainda durante o mês de Março. A última notificação foi feita a 18 de Junho. No entanto, o Governo português ainda não terá estabelecido um acordo estratégico para acautelar as necessidades para os usos prioritários da água, como a rega, o consumo humano e os usos ambientais. A situação poderá atingir níveis dramáticos se o impasse continuar.

26 de Junho de 2012 às 01:00
O rio Tejo apresenta níveis de poluição mais elevados, facto que se agrava nesta altura do ano
O rio Tejo apresenta níveis de poluição mais elevados, facto que se agrava nesta altura do ano FOTO: Lusa

"De acordo com a Convenção de Albufeira – documento que define as regras para a partilha das bacias hidrográficas – Espanha, ao invocar o regime de excepção, deixa de ser obrigada a garantir caudais trimestrais em relação aos rios internacionais: Minho, Douro e Tejo", explicou ao CM Francisco Ferreira, membro da direcção da Quercus.

"Portugal ainda não fez a articulação com Espanha, nem definiu as necessidades e isso deixa-nos preocupados porque não sabemos se vamos continuar numa situação de seca, já para não falar nos impactos, que podem ser muito grandes", alertou o ambientalista.

Na prática, se houver uma redução substancial dos caudais, "os problemas habituais no rio Tejo no Verão, como a poluição e o facto de ficar completamente verde por causa do excesso de nutrientes, poderão agravar-se". A qualidade da água que nos chegará "poderá ser pior porque Espanha tem problemas de poluição por resolver", concluiu Francisco Ferreira.

A situação mais grave verifica-se no rio Tejo. "A redução contínua dos caudais está a atingir níveis extremos, apesar de haver água nas barragens hidroeléctricas junto à fronteira", alerta Paulo Constantino do Movimento Pelo Tejo, que defende a monitorização da quantidade e qualidade da água e a referência a penalizações financeiras na Convenção. O CM contactou o Ministério do Ambiente, mas não obteve resposta.

SECA EXTREMA ATINGE 44 POR CENTO DO PAÍS

O 7º relatório de Acompanhamento e Avaliação dos Impactos da Seca, divulgado ontem, revela que, no final de Maio, "6% do território se encontrava em seca fraca, 19% em seca moderada, 30% em seca severa e 44% em seca extrema", quadro que "até ao final do ano hidrológico será impossível recuperar". O documento sublinha, ainda, que, no mesmo período temporal, a bacia do Arade continuava com níveis de armazenamento de água inferiores a 20%.

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