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Correio da Manhã

Sociedade
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Esperança de vida de doentes com mieloma está a aumentar

Estima-se que em Portugal ocorram 300 novos casos por ano de mieloma múltiplo.
Vanessa Fidalgo 7 de Dezembro de 2019 às 01:30
Em Portugal surgem todos os anos 300 novos casos de mieloma múltiplo, um tumor do sangue raro
Herlander Marques
Luísa Torres tem 48 anos
Em Portugal surgem todos os anos 300 novos casos de mieloma múltiplo, um tumor do sangue raro
Herlander Marques
Luísa Torres tem 48 anos
Em Portugal surgem todos os anos 300 novos casos de mieloma múltiplo, um tumor do sangue raro
Herlander Marques
Luísa Torres tem 48 anos
É uma doença rara, atinge sobretudo homens entre os 50 e os 70 anos, mas estima-se que em Portugal ocorram cerca de 300 novos casos por ano de mieloma múltiplo, uma doença maligna, cujo tumor tem origem na medula óssea, em que a célula afetada é o plasmócito.

No mieloma múltiplo, os plasmócitos aumentam de forma descontrolada, infiltram a medula óssea e provocam um enorme aumento da produção das imunoglobulinas, com uma taxa de sobrevivência reduzida. A boa notícia é que os novos tratamentos têm permitido aumentar a sobrevivência.

Em 2001, no Porto, nasceu a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL), que recentemente recebeu uma bolsa no valor de 10 mil euros pelo projeto ‘Perto de Si, pela Sua Saúde’.

"A APLL nasceu do reconhecimento da necessidade de os doentes, familiares e profissionais de saúde partilharem informação sobre as doenças malignas do sangue e dar informações adicionais sobre tratamentos e perspetivas de vida", explica Isabel Barbosa, presidente da APLL.

O projeto ‘Perto de Si, pela Sua Saúde’ pretende essencialmente informar a população sobre as doenças hemato-oncológicas, "porque informar significa capacitar estas pessoas para uma melhor gestão da sua doença", acrescenta.

Diagnóstico: difícil e moroso
A incidência do Mieloma Múltiplo na Europa ronda os três a quatro novos diagnósticos por 100 mil habitantes, em cada ano. A ocorrência em pessoas com menos de 40 anos de idade é rara (3%). Mas o diagnóstico pode ser demorado e muitas vezes implica a realização de vários exames.

DISCURSO DIRETO
Herlander Marques, oncologista e membro da APLL
CM: Quais são os sintomas desta doença?
– Herlander Marques:
Alguns doentes têm muitos sintomas, outros não. O mais comum é o cansaço com a presença de anemia. Mas também as dores ósseas intensas e prolongadas, uma infeção respiratória ou o aparecimento de insuficiência renal.
– Como é tratada?
Não tem cura: o tratamento pode fazer regredir ou estabilizar a progressão da doença. Os tratamentos possíveis são quimioterapia, radioterapia e o transplante de medula óssea.
– Qual o prognóstico?
A sobrevida aumentou de 3 anos para mais de 6 anos graças à melhoria dos tratamentos.

O MEU CASO
"A medicina tem evoluído muito"
Para Luísa Torres o calvário começou aos 43 anos. Primeiro, uma pneumonia grave, até que três meses depois, sempre com o estado de saúde a agravar-se, recebeu a notícia de que tinha uma anomalia no sangue: um mieloma múltiplo. "Fiquei sem chão", conta.

"Fiz dois transplantes. O primeiro teve muitos efeitos secundários e foi bastante difícil. O segundo foi completamente diferente. A medicina tem evoluído muito. Não tive praticamente efeitos secundários. Trabalhei durante todo o processo de quimioterapia", recorda Luísa que, agora, através da APLL, ajuda outras pessoas na mesma situação.

Saiba mais sobre esta doença no guia prático Médico em Casa, todos os dias nas bancas com o Correio da Manhã.

Sintomas
  • Dor nos ossos que têm maior quantidade de medula óssea (esterno, costelas, bacia e fémur), à medida que a doença progride. 
  • Fragilidade óssea com fraturas patológicas (fraturas que acontecem sem traumatismo associado ou com um traumatismo de baixa intensidade).
  • Cansaço e/ou falta de ar de agravamento progressivo.
  • Perda anormal de peso.
  • Infeções mais frequentes e difíceis de resolver devido a um sistema imunitário comprometido.

Como se trata
O objetivo do tratamento é o alívio dos sintomas, a prevenção das complicações e o atraso da progressão natural da doença. 
As opções terapêuticas podem incluir quimioterapia, corticoterapia, imunomoduladores, anticorpos de síntese (ou «agentes biológicos») e transplante de medula óssea. 
É importante o acompanhamento médico regular e a adesão ao tratamento proposto pelo seu médico, evitando tomar medicação ou suplementos que não sejam prescritos, mesmo se a doença estiver controlada. 
Deve informar o seu médico sobre eventuais sintomas ou reações aos tratamentos, para que este o possa ajudar corretamente. 
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